Próximos vestidos

Gus, o Lobo do Espaço e a Última Esperança - Capítulo 1

2020.12.02 00:03 AutorLBatista Gus, o Lobo do Espaço e a Última Esperança - Capítulo 1

O grande planeta era observado através do monitor na ponte de comando. Margeado pelo preto incólume do infinito, a orbe brilhante cativava olhos atentos sobre ela.
Em pé, imóvel, diante dos dispositivos de um dos painéis de controle, vestido com um traje espacial em uma tonalidade creme opaco, ele observava respirando calmamente enquanto seu olho esquerdo ameaçava um piscar tremulante, sem se fechar pela totalidade.
Os punhos se comprimiram, e o estalar dos dedos fora ouvido, interrompendo aquele silêncio.
A escuridão tomava conta do recinto. Apenas algumas luzes de alerta e sinalização dos painéis estavam acesas. A luminosidade do planeta fazia com que se pudesse enxergar as peças dentro daquela grande cabine e, sozinho, continuava a contemplar o que estava a diante.
— Carl, entrar em modo furtivo. — E sua voz grave, e calma, antecedeu o relaxar das mãos. — Ajustar para as coordenadas da base Alfa-Zero-Uno. — Ele respirou fundo e voltou-se, dando as costas ao monitor. — Escudos a sessenta e cinco por cento, e acione modo de alerta para entrega especial. — E, em seguida, caminhou alguns passos em sua diagonal direita até uma câmara cilíndrica protegida por uma redoma tubular transparente, que possuía pouco mais do que a altura e largura de seu corpo. Conforme caminhava, pontos alaranjados se acendiam no piso iluminando seus passos.
Diante da câmara, uma luz verde-fluorescente brilhou lentamente dentro dela e a barreira vítrea girou, entrando para a lateral da passagem por onde ele atravessou e, após executar uma meia-volta, ficou de frente para o corredor do recinto.
O barulho suave da barreira ao fechar-se foi substituído pelo som do líquido que preenchia gradativamente a câmara tubular. Quando alcançou a altura de seu pescoço, acima da gola de sua vestimenta, o fluido cessou.
— Comunicador com suporte de fuga padrão; proteção simples de adaptação ao meio-ambiente; armamento letal leve e munição sobressalente. Após suas palavras, uma voz clara e desprovida de qualquer emoção tomou toda a ponte de comando:
— Qualidade do ar — e continuou após um único segundo de silêncio — respirável.
O líquido dentro da câmara cilíndrica turvou-se rapidamente e ouviu-se o som de alguma coisa se movendo em sua profundidade. Seus olhos se mantinham firmes adiante. Sua respiração era controlada e permanecia estável enquanto aguardava.
A drenagem iniciou-se pela extremidade inferior do compartimento e, conforme sua quantidade diminuía, apresentava a nova vestimenta.
Estava coberto dos pés ao pescoço por uma espécie de armadura fina, bem colada ao corpo, da qual se podia identificar alguns grupos musculares por suaves linhas produzidas na forma de sulcos em seus contornos.
Era de uma cor grafite, sem brilho. Parecia ser de algum tecido bem espesso, e o calçado se estendia do solado a poucos centímetros abaixo dos joelhos, estando demarcado também por suaves sulcos, mas haviam detalhes em uma tonalidade pouco mais escura nas laterais de seus pés e tornozelos, algo como um reforço.
Cobrindo seu pulso esquerdo, havia um objeto no formato de relógio com alguns centímetros de largura. Era prateado, mas também sem brilho, e possuía um visor quase da largura dos ossos sob ele e desse visor partia uma haste, com alguns vincos que lhe davam formas semelhantes a botões, pelo antebraço até próximo de seu cotovelo. Tal haste era visivelmente dividida em alguns centímetros, como se fosse compartimentada, e a quantidade de saliências por divisão era diferente. Suas mãos estavam cobertas por luvas no mesmo tom das minúcias de seus calçados e, no pulso direito, podia-se ver os sulcos que diferenciavam o traje das luvas.
Um cinturão na mesma cor da vestimenta fazia a divisão das partes superiores e inferiores de seu corpo e, preso a ele em seu lado direito, descia um relevo em forma de retângulo, por poucos centímetros, até terminar em um coldre preso a sua coxa, que suportava uma pistola ameaçadora. Do lado esquerdo do acessório, colado em sua cintura, estava o objeto que aparava os dois carregadores de sua arma.
Em seu pescoço, na gola da roupa, havia, também, um pequeno detalhe redondo, que tinha a mesma coloração das suas luvas.
A redoma tubular se abriu e ele deu um passo à frente, retornando para o espaço da ponte de comando. Seus dedos se contraíram e relaxaram enquanto ele fazia uma conferência visual, olhando seus braços e pernas. Estava sem nenhum resíduo do líquido que inundara a câmara, que agora se fechava automaticamente.
— Carl, à diante. — E, quase que instantaneamente, alguns pontos brilhantes no negro do espaço pareciam se mover, indicando o movimento silencioso da nave.
Ele caminhou na direção dos painéis de controle e, estando bem próximo deles, tomou posição perto da extremidade esquerda do grande monitor. Conforme ia se sentando no ar, o piso foi se modificando e tomando formas geométricas; empilhando minúsculas peças; montando um assento confortável que se inclinou e o amparou próximo do chão, permitindo que sua visão se mantivesse em ângulo estável, enquanto observava o planeta crescendo em sua frente.
— Preparando para entrada atmosférica. — Disse a voz que tomou o ambiente. — Processando variáveis, calculando e adaptando para entrada segura.
— Carl, eu conheço o procedimento!
— Entendido, senhor! — Respondeu-lhe a voz. Visivelmente incomodado, ele falou como se estivesse de frente a um velho amigo:
— Quantas vezes eu já pedi para não me chamar assim?
— Foram, exatamente... — E a interação do computador da nave foi interrompida por risos.
— Você faz de propósito! Qual é a intenção? — E sua mão direita cobriu a boca, enquanto respirava fundo, tentando parar de rir.
— Percebi alterações corporais no ambiente, achei que seria interessante quebrar seu clima de tensão. — Após ouvir essas palavras, evoluiu para risos com lábios cerrados e assentiu com a cabeça, concordando com a voz que interagia com ele, e tornando a observar o monitor.
— Situação? — Perguntou enquanto vislumbrava as nuvens tomando forma em sua frente.
— Pressão interna estabilizada — E os dados do relatório verbal seguiram-se, pausadamente. — Condição segura para navegação. O objetivo será alcançado em vinte e dois minutos.
Seus olhos tocaram o mundo que ia surgindo durante o trajeto suave de entrada naquele planeta.
— Manter modo furtivo; liberar sondas com sensores ao máximo. — Imediatamente, formaram-se várias trilhas de deslocamento de ar diante da imagem no monitor, com pequenos objetos ultrapassando a velocidade da nave. — Eu quero que você triangule qualquer sinal de detecção e nos mantenha fora de alcance.
Minutos depois, a voz se dirigia novamente a ele:
— Calculando para distanciamento seguro, contra detecção. Preparar a Eco-Delta? — As luzes se acenderam na ponte de comando.
— Afirmativo. Quero que mantenha distanciamento do ponto de encontro. Me dê cobertura e se prepare para qualquer eventualidade. — E levantou-se de seu assento, dando as costas ao monitor. Seus passos eram lentos e, enquanto andava, observava as outras telas menores nas laterais da ponte de comando, e os poucos objetos que compunham o ambiente.
Ao chegar no fim do compartimento, que não era tão grande, mas tinha espaço para abrigar todos os seus instrumentos e as duas câmaras cilíndricas idênticas, que se situavam uma de frente para a outra, adentrou a um outro corredor e, por trás de suas costas, uma porta de metal se fechou rapidamente.
Pelas paredes do corredor de média largura, podia-se perceber relevos que identificavam a entrada de outros compartimentos. Alguns destes possuíam finas janelas transparentes, permitindo a visualização de seus interiores.
— Cástor e Pólux, integrar grupamento de três hoplitas, cada um; entrar em modo guarda-costas e monitorar sinais de estresse. — Após falar com voz firme, antes de passar pela porta no final do corredor, ouviu-se, vindo de um dos compartimentos, um barulho de metal batendo e se movimentando.
Havia chegado ao enorme depósito de carga, que possuía uma iluminação esverdeada, onde uma nave menor estava localizada à direita do recinto, e na lateral esquerda haviam dois contêineres selados, atrelados lateralmente um ao outro.
A nave era um transporte de metal em uma cor cinza-esverdeado, retangular, e que não possuía mais de dezoito metros de comprimento, por aproximadamente seis metros e meio de largura total e, também, uns quatro metros de altura. Centralizado em cada uma de suas laterais havia outro retângulo de metal, com dois terços da largura e altura da embarcação, em posição vertical.
Em seu andar, posicionou-se de frente para a parte traseira do transporte, entre ele e a passagem que dava para o corredor. A chapa de metal abriu-se em duas, com a parte maior formando uma pequena rampa de acesso, por onde ele caminhou.
As extremidades laterais superiores das grossas paredes tornaram-se um fino caminho luminoso até a separação daquela ala com a cabine de navegação.
Enquanto caminhava, ele dirigiu novas instruções:
— Carl, sele o compartimento de carga para lançamento, você está no comando da CARL - 05. Acione controle manual da Eco-Delta depois do lançamento. — Após se aproximar, uma porta correu lateralmente dando passagem ao cockpit, onde ele cruzou o espaço entre os dois assentos dispostos lateralmente um ao outro e sentou-se à esquerda. Em sua frente, pouco adiante, o painel daquele transporte era em dois ângulos adjacentes de quarenta e cinco graus, com o vértice na altura de seu plexo solar(1) ,o que denotava sua arquitetura geral em um formato próximo do trapezoidal, com a tela do monitor na parte superior.
(1) Entrelaçamento de ramificações nervosas, de vasos sanguíneos ou de vasos linfáticos dispostos em rede, conectados um ao outro: o plexo solar está localizado atrás do estômago.
Ele se confortou no assento e puxou, de cada uma de suas laterais, as travas que se encaixaram em frente ao eixo de seu corpo, fechando um cinto de segurança que o mantinha mais justo à cadeira.
— Pronto para o lançamento. — E ouviu-se o som do metal remexendo.
A embarcação moveu-se lateralmente até o centro do compartimento de carga, de maneira lenta e, conforme se centralizava, as portas do deque foram se abrindo. O ambiente fora recebendo a luz externa e o vento começava a entrar movimentando alguns poucos objetos, como correntes, fitas e cordas penduradas nas paredes. Quando o abrir das portas cessou, um alerta sonoro cortou os poucos instantes de silêncio que dominavam o local e precedeu as palavras quase metálicas do computador Carl:
— Espaço aéreo livre, preparado para o lançamento; atingirá o objetivo em quatorze minutos; pronto para iniciar contagem.— Após alguns instantes, ouviu-se novamente o som de metal se movendo e os motores sendo acionados.
Do painel em sua frente, avançou um controle manual que ele assumiu com as duas mãos.
— Pode lançar. Após suas palavras, escutou a contagem:
— Em três... dois... um. — E, imediatamente, a pequena nave foi lançada adiante e, ao ultrapassar os limites do compartimento de carga por alguns metros, a intensidade do som dos motores aumentou conferindo maior velocidade ao transporte.
Enquanto o conduzia, sua inquietação produziu pensamentos de autoafirmação para que, talvez, mantivesse uma maior tranquilidade durante o trajeto.
Não é a primeira vez.Mas todas as vezes me sinto da mesma forma.
Seus olhos observavam o grande monitor à frente. Gráficos e ilustrações em segundo plano sobrepunham a imagem do horizonte, sem atrapalhar a navegação, mostrando as condições técnicas da aeronave.
Detesto ter que visitar planetas, meu lugar é no espaço.
— Acionar simulador de entrada e desligar modo furtivo. — E fitou alguns instrumentos analógicos do painel e, em seguida, conferiu as leituras no monitor. Alguns minutos depois, entre estática e ruídos, ouviu uma comunicação em seu equipamento, possivelmente vinda da superfície à qual se aproximava. Ele tocou o detalhe na gola de suas vestes, — tradutor — e se preparou para responder:
— Aqui é CARL - 05 ECO-DELTA, cargueiro classe três, solicitando autorização para pouso. Composição: somente piloto; situação: descarregado; intenção: aquisição de peças de reposição para manutenção.
Fez-se um breve instante de silêncio, até que obteve sua resposta.
— CARL - 05 ECO-DELTA, pouso autorizado no setor industrial, hangar vinte e cinco; escudos e armamento externo não detectados. Prossiga pelo seu protocolo de intenção. — Disse-lhe uma voz feminina.
Ele podia observar as plataformas, construídas dezenas de metros acima do solo, crescendo no horizonte. O dia estava bem iluminado.
— Seja bem-vindo a Íris. Estou transferindo um estatuto de regras, siga-as e não terá problemas, CARL - 05 ECO-DELTA.
E ele respondeu ao controle de espaço aéreo. — Afirmativo, senhor. CARL - 05 ECO-DELTA preparada para atracar e encerrando comunicação.
Até o momento está tudo sob controle, parece que não fomos descobertos. Bom, é só manter o foco no objetivo.
O monitor mostrava as instruções e coordenadas para acesso ao hangar. Seguia o ordenamento de maneira natural, para que não chamasse nenhuma atenção.
Conforme se aproximava, podia verificar as torres defensivas e seus enormes canhões, que se espalhavam em pontos estratégicos em meio às edificações do setor industrial. Percebeu que seria difícil empreender uma saída rápida, se tivesse que se preocupar com o acionamento das defesas daquele local.
Espero não me demorar por aqui!
Estacionou a movimentação do pequeno cargueiro sobre uma enorme planície metálica ladeada de outras estruturas. O monitor acusou um alerta, indicando que a tração energética havia sido acionada. Desligou manualmente a propulsão dos motores, pois não havia necessidade de permanecerem ligados enquanto a nave era tracionada eletromagneticamente até a doca. Ouviu-se o alto som de peças hidráulicas se movimentando, formando uma abertura em círculo na plataforma logo abaixo da nave. A passagem foi se abrindo horizontalmente, de forma espiralada e, no seu término, o cargueiro foi descendendo lentamente até se estabilizar no solo.
Conforme as portas se fechavam, a iluminação artificial se tornava mais forte e, pelo monitor, ele podia observar outras embarcações de carga posicionadas nos atracadouros, e a movimentação de outras pessoas pelas plataformas.
Essas leituras me mostram que a atmosfera e as condições climáticas desse planeta são propícias à forma de vida humanoide. Vejamos quais são as surpresas que encontrarei por aqui.
Desacoplou o cinto de segurança e levantou-se. Retirou sua arma do coldre, fez uma inspeção visual em suas peças e a retornou para o descanso na lateral de sua coxa. Respirou fundo.
Olá pessoal. Este é o primeiro capítulo do livro que estou disponibilizando online, gratuitamente na plataforma Wattpad. Gostaria de saber a opinião de vocês sobre esse capítulo e, caso alguém queira conhecer mais o projeto, que terá o 16º capítulo publicado amanhã honrando com o compromisso de lançar 01 capítulo a cada 03 dias, basta acessar o link abaixo:
https://my.w.tt/UQd5WxXZJab
Abraços a todos e aguardo pelo Feedback de vocês.
submitted by AutorLBatista to EscritoresBrasil [link] [comments]


2020.11.16 15:11 jfgamer4321 leia pls

Olá, pode parecer estranho e você deve me achar um completo esquizofrênico porém eu me considero de todas as formas como um boneco do jogo Among Us. Descobri o game a 7 meses atrás e imediatamente me apaixonei em ser um impostor, eu simplesmente amava poder matar outros jogadores e sabotar equipamentos, em um nível tão extremo que parecia ser excitante pra mim. Abandonei minha vida profissional e social para jogar como impostor 24 horas por dia. Até que comecei a notar coisas estranhas no meu corpo, eu acordava de manhã (pronto para jogar Among Us) e as vezes eu estava segurando uma faca ou então misteriosamente vestido com uma roupa vermelha. Isso continuou acontecendo cada vez com mais frequência até eu me tornar por completo um boneco do Among Us e sentir a vontade de matar pessoas. Agora posso me satisfazer na vida real além do jogo. Já assassinei minha família e meus amigos (claro, seguindo o cooldown e dando a chance a eles de descobrirem que eu era o impostor) e planejo sabotar o reator nuclear próximo a minha cidade e assim poder finalmente vencer a partida... relaxae é só uma copypasta merdakkkkkkkkkkk
submitted by jfgamer4321 to HUEstation [link] [comments]


2020.11.16 02:18 Kametastic O Bobo da Corte

1970-Local Desconhecido.
Sou Erick Spakoski, estou no meu primeiro dia de trabalho como detetive inspetor, primeiro caso, devo mostrar garra e perspicácia, coisa de costume dos primeiros dias. Fui avisado de que poderia ser perigoso investigar por mim mesmo, portanto, decidi entrar para o polícia apenas para adquirir passe livre. Eu já estava investigando o caso de desaparecimentos e assassinatos que estão ocorrendo no centro da cidade, pode parecer simples, mas é o caso de um assassino em serie com bastante personidade e sagacidade, sabe onde e quando fazer cada ação, cada passo nos diz algo mas a policia continua a ignorar.
Hoje às 16h, eu estava parado na principal observando os carros passarem enquanto fumava, a fumaça parecia fazer com que os carros ficassem minguantes quando passavam pela minha visão, assim como os assassinatos passam omissos debaixo do nariz da polícia. Como de costume, a cidade estava barulhenta e movimentada, me lembro vagamente do rosto de um artista vestido de palhaço que cantava cantigas e historias, sentado na calçada, alguns poucos passavam por ele e davam algumas moedas. Ele dizia que as historias eram dele, todos duvidavam mas ninguém dava atenção genuína.
Eu havia conversado com uma mulher horas antes, ela me chamou para um encontro em seu quarto de hotel, eu recusei e ela disse que tinha informações sobre o assassino, uma vez colocado contra a parede, fui obrigado a aceitar, transgredindo alguns de meus limites pessoais.
Joguei fora o cigarro e andei na direção do meu carro, deixando alguns trocados no chapéu do palhaço cantante. Chegando no carro, o liguei e pisei fundo, não entraria em casa de forma alguma, sabia que, estando parado, a ansiedade iria me comer vivo. Fui ate uma lanchonete, estacionei, calmamente entrei no local e me dirigi ao balcão, onde pedi um misto quente com leite e picles, sim, eu sei que é estranho, mas era apenas um código, não um pedido real. -Você acabou de sair daqui Erick, não vai nada ate agora. -Nenhuma movimentação suspeita? Nada!? -Nada Erick, assim como da última vez, você precisa descansar, precisa dormir, vai acabar enlouquecendo! -Não preciso dormir senhorita Kyle! Preciso de respostas e já! Bati levemente na mesa e sai com uma postura aguerrida, ignorando os olhares.
Bem, pelo menos é o que eu me lembro de hoje, agora são meia noite, estou na frente do hotel, ainda tomando coragem para entrar e encarar aqueles maliciosos olhos castanhos. Eu não posso ficar aqui, preciso entrar! Meu único suspeito é ela, ate agora, a única que mostrou algum envolvimento com o assassino, mas... Por que eu? Por que ela iria trocar esta informação por um encontro comigo? Rapidamente peguei minha pistola e coloquei em meu casaco, abri a porta e corri ate a entrada, tentando evitar a chuva rigorosa que castigava a noite.
-Olá, eu estou aqui para encontrar a senhorita Ruby Portman no quarto dela, poderia me liberar? -Claro senhor Spakoski! Ela me informou sobre sua eminente chegada e pediu champanhe, ela esta aguardando o senhor. -Ah... É... Obrigado. -Tenha uma boa noite e bem vindo ao Hotel Sequel senhor. -Claro! obrigado novamente.
Vendo o sorriso sujestivo da recepcionista, subi rapidamente ate o quarto 22, no segundo andar, ainda tentando entender a situação. Entrando no quarto, encontrei a cama arrumada, vazia mas bastante arrumada, ao lado, havia um livro sobre a idade media, falando a respeito do bobo da corte, vi o champanhe e, próximo a garrafa, uma xícara de chá, a qual ainda continha um pouco de chá morno, vi um violão no chão e um chapéu do lado da cama.
Não demorou muito para que a senhorita Ruby saísse do banheiro, com uma longa camisola cor de pérola, um olhar incisivo e uma apertada lingerie preta, ela foi se aproximando, enquanto eu, de antemão, tentava me distanciar, ate que cai em sua cama, suas maos me tocaram como o vento da madrugada, trazendo a frieza da manha, mas o aclamado e caloroso nascer do sol, e o nascer do sol, seus cabelos dourados começaram a se jogar sobre mim, sedosos o doce sabor do que, para mim, era insípido, súbito e voraz, assim como a senhorita Ruby naquele momento. Não acredito que estaria prestes a experimentar os lábios cor de sangue dela, sua perna esquerda não me deixou pensar direito, logo estava deslizando sobre meu quadril enquanto seu olhar me roubava o fôlego.
Depois de tanto mistério verbal, Ruby disse o que, para alguns, seria uma ameaça:-Hoje eu farei a melodia que você irá tocar, serei sua realeza e você será meu bobo da corte. Mesmo atordoado pela estonteante sensualidade de Ruby, um estalo correu pela minha mente... -Espera, você disse bobo da corte? -Sim, será o meu palhacinho. -É isso! É isso!
Rapidamente joguei Ruby longe e corri para a porta, sabia que ela tinha entendido minha pressa, por isso, não parei de correr ate meu carro, sem me preocupar com quaisquer distrações. Dirigi ate a delegacia e gritei que havia solucionado o caso. Todos me olharam torto e perguntaram desacreditados qual seria a resposta.
-Obviamente! Como não percebi isso!? Estamos procurando alguém inteligente, que saiba criar quebra cabeças para nos fazer monta-los, ele achou que só assim chegaríamos a ele, mas é obvio quem é! -E quem seria Erick? Conte-nos. -O palhaço! -Palhaço? -Sim! O palhaço que canta na principal! -Mas como? Ele não faz mal a ninguém. -Exato! Ninguém liga para ele, ninguém da valor, ninguém presta atenção, ele é um contador de historias! Estava confessando ao ar livre e mesmo assim ninguém percebeu! -Mas ele fez tudo sozinho? -Não! Digo... Não, a senhorita Ruby o ajudou, ela esta com ele e tentou me matar hoje, para isso servia a camisola, para esconder a faca... -Camisola...? -Eu explico depois, peguem ela, esta no hotel Sequel, quarto 22, segundo andar. -... -Andem logo!
Bem... Em resumo, eu estava certo, como sempre, a Senhorita Ruby e o palhaço foram presos, eles sabiam que eu poderia ser um perigo para eles e tentaram me eliminar, o violão e o chapéu no quarto da Ruby eram do Thomas, o palhaço, parece que ele queria que eu morresse sabendo quem foi, assim, a verdade morreria comigo e eles fugiriam... Mas... Como eles arrumaram dinheiro para o hotel? Thomas era quase um mendigo! De onde poderiam tirar tanto dinheiro?
submitted by Kametastic to ContosDeLadderville [link] [comments]


2020.11.16 01:23 guillepaez [Resumen Semanal XII] Los bonos de Guzmán y el impuesto al viento USD a 172

Hola, y bienvenidos al Resumen Semanal de noticias Número 12, correspondiente a la segunda semana de noviembre de 2020.
Antes de comenzar queremos agradecer a Osvaldo por esos cafecitos.
TL;DR: video en youtube.
SÁBADO:
DOMINGO:
LUNES:
MARTES:
MIÉRCOLES:
JUEVES:
VIERNES:
Cerramos el resumen con los números de la pandemia:
Si les ha gustado este resumen les agradecemos por sus comentarios y compartidas. Como ya lo hemos dicho no hacemos esto con fines de lucro, pero si alguno quiere hacernos una donación por cafecitos será más que bienvenida. Muchas gracias por todo.
Chao.
submitted by guillepaez to RepArgentina [link] [comments]


2020.11.08 06:49 sad__cloud Uma vida amorosa e sexual bem triste. E um rapaz que me dá atenção.

*ATUALIZADO
*conta descartável
**Texto longo porém separado por parágrafos e bem escrito <3
***Talvez eu devesse postar isso no DeadBedrooms mas não me sinto com emocional para traduzir tudo para o inglês.
****Edits: concordância, erros gramaticais
*****Tudo que foi feito fora de casa foi com máscara e muito álcool em gel!
Namoro faz quatro anos. Cursamos o mesmo curso, mesma faculdade, mesma turma, mesmos colegas de sala. Ele é três anos mais novo que eu (tenho 25).
Meu namorado tem muitos defeitos. Muitos mesmo. Mas muitas qualidades também, que eu admiro e simplesmente amo. Colocando na balança, essas qualidades pareciam compensar os defeitos e decidi tolerá-los. Mas sabe quando esses defeitos aparecem com tamanha frequência e com tamanha intensidade que as qualidades simplesmente desaparecem? Então.
Moramos juntos, um cantinho alugado. Ele pediu demissão do estágio por odiar o serviço (e agora decidiu que odeia o curso também) e como recebe mesada dos pais, fica tranquilo. Eu ralo no estágio e pra dar aquela complementada na renda, comecei a vender bolos no meu bairro.
Meu namorado sempre reclamou do curso. A ponto de chorar de desespero de madrugada. Como fazemos trabalhos juntos, sempre tenho que dividir meu tempo entre fazer de fato o trabalho e consolá-lo (e nesse momento ele para a produção dele totalmente e no final eu sempre termino o meu para ajudá-lo). É o tipo de situação que nenhum conselho está bom. Nada que eu diga ajuda. Ele já me acusou de dar mais atenção aos trabalhos do que para ele. Esse ano, após uma briga colossal, ele resolveu procurar ajuda psicológica.
Sobre sexo, ele não existe mais, atualmente. E quando existe é com uma qualidade tão ruim (pra mim)... Como tirei a virgindade dele, achei que com o tempo e com a minha ajuda, ele melhoraria. Nunca melhorou. E se comento sobre algo que não me deixa feliz, ele diz que faz de tudo para me agradar e não sabe mais o que fazer pq eu sou muito difícil e fica bastante nervoso. Então desanimei de comentar qualquer coisa. Finjo que atingi o orgasmo só para ele gozar logo e terminar tudo. Quando eu o procuro na intenção de eu iniciar o ato e aí quem sabe controlar um pouco mais a situação ao meu favor, ele faz birra. Não vai continuar se eu não fizer tudo.
Faz uns seis meses que notei que ele estava me procurando bem menos e tentei criar uma situação para transarmos. Calhou de ele me falar que não sentia vontade de transar por estar se masturbando demais. Conversei sobre como uma vida sexual é importante para um casal e que seria bacana ele diminuir a frequência que ele assiste pornô (e ele assiste com muita frequência).
Eis que ele abre o celular e mostra que ele tá usando algumas fotos de usuárias do Reddit como material para masturbação. Nem cheguei a ver de que sub era pq meus olhos encheram de lágrimas muito rápido. Dei uma desculpa qualquer e fui chorar no banheiro, coisa que eu não faço desde a sexta série. Eu não sei dizer exatamente a diferença entre o pornô e uma foto, mas eu me senti humilhada como poucas vezes na minha vida.
Tenho uma amiga muito querida que, lá por março, de aniversário, me deu um vestido que eu queria muito (e que era bem caro. Meu namorado me deu uma noite frustrante de sexo). É um vestido azul que faz eu me sentir uma princesa. Como em agosto foi aniversário dela, fiz um bolo surpresa e fui entregar para ela a pé. Ela mora em um conjunto de prédios a quinze minutos (a pé) do meu cantinho. Lá fui eu, meu vestido azul e a cesta que eu uso para levar os bolos por aí. Ela tirou uma foto minha e divulgou no grupo do prédio. Viralizei!
Eu nunca vi TANTA encomenda e TANTO dinheiro aparecendo na minha frente. Chamei meu namorado para me ajudar a dar conta de tudo, prometi ensinar ele a fazer com a maior paciência.
Ele negou. E reclamou que meu cabelo andava muito feio. Meu cabelo é cacheado e eu o pinto de ruivo, então ele anda realmente um pouco judiado. Pra variar, me senti muito triste. Jurei que daria conta de todas as encomendas e com o dinheiro que sobrasse eu daria um trato no cabelo.
Dei conta? Dei. Virei noites? Sim. Gastei 1/8 do que ganhei comprando produtos de cabelo. Essas coisas são caras mas fiz minhas contas e considerei que seria uma compra prudente e que não nos afetaria economicamente no futuro. Em duas semanas eu estava amando o resultado. Me sentia mais bonita e preparei um jantar e comprei um vinho, decidida a mudar a nossa vida sexual.
Meu namorado comeu tudo correndo pois tinha um RPG marcado com não sei quem. A garrafa de vinho nem deu tempo de abrir.
Sabe o seu valor? Naquela hora eu sentia que tava valendo menos que a poeira do tapete da sala. Valendo menos que as meninas desconhecidas do Reddit.
Mas as encomendas de bolo no prédio da minha amiga continuavam. E como fiquei famosa com o vestido azul, fiz dele meu uniforme já que ia uma vez por semana lá entregar e todo mundo passou a me reconhecer com ele.
Um dia recebi um pedido de bolo de cenoura com chocolate de um apartamento Y que nunca tinha ido. Fiz tudo, como de praxe e no dia da entrega, quem me atendeu foi um rapaz com um sorriso tão imenso que eu cheguei a ficar sem graça. Quem encomendou de fato foi a avó dele, e da porta mesmo ele chamou dizendo "Vó, a moça gracinha veio trazer o seu bolo!"
Eu não sei dizer a quanto tempo não recebo um elogio. Mas o gracinha foi o suficiente pra eu me atrapalhar toda na hora de entregar o bolo. Quase saí correndo de nervoso. Atendi a vizinha do andar de cima e ela tinha perguntado se eu havia entregado no apartamento Y, pois a senhora que morava ali era amiga dela. Respondi que quem atendeu foi o neto e ela rasgou elogios, que ele era um doce de pessoa e que havia ajudado ela a instalar algumas lâmpadas na semana passada.
De setembro para cá eu entreguei bolo todas as semanas no apartamento Y. E o tal do neto, que é meses mais velho que eu, sempre estava lá para me receber. Já me convidaram para tomar um cafézinho (aceitei) e para o almoço (recusei). Semana passada, fui convidada novamente para o almoço, dessa vez pelo neto. Em um horário que a avó dele não estava em casa (não faço ideia de onde ela poderia estar nessa pandemia). Confesso que recusei para não cair em tentação.
Ontem tentei novamente uma surpresa para quem sabe transar com o meu namorado. Não deu certo. E dessa vez o porque foi que eu estou sempre ocupada e nunca dou atenção para ele. Discutimos e eu chorei, nunca me senti tão sozinha mesmo estando em uma relação. Fui dormir e ele foi jogar.
Hoje fiz mais uma entrega no apartamento Y. O neto estava fazendo faxina na casa, mas me recebeu. Quando pedi para ele segurar a cesta para que eu retirasse o bolo, ele se aproximou e colocou o nariz no meu cabelo, dizendo baixinho que eu era muito cheirosa. Eu agradeci e ele sugeriu de irmos tomar um café (em um café de fato), assim que acabasse a pandemia e que ele conhecia um ótimo lugar. Eu não aceitei e nem neguei (famoso "vamos ver hahaha"), mas voltei para casa muito abalada.
A verdade é que não vejo mais futuro para o meu relacionamento e estou exausta de me sentir sozinha dentro de um. Cansada de ser a única a tentar. Se eu tivesse uma relação sexual com o meu namorado eu não sei nem como reagiria, pois essa chateação toda me fez perder toda e qualquer atração que já tive por ele. As vezes acho que tento para no final de tudo pensar "pelo menos eu tentei".
Meu namorado foi rejeitado anteriormente por uma garota que ele amava e isso o deixou um ano de cama. Meus sogros me tratam muito bem e quase me endeusam, e as vezes acho que é por isso que ainda não tomei uma atitude. Gosto muito dos meus sogros, não quero chateá-los. Tenho medo que meu namorado fique de cama por minha causa também. Estamos tão próximos de concluir o curso que não quero me sentir responsável se ele jogar tudo para o alto caso eu termine. Não quero, caso o curso volte presencialmente, ter que encontrá-lo todo dia e ainda bagunçar nosso círculo de amizades em comum.
Por outro lado, eu me sinto tão ansiosa, tão pedinte por contato. Queria um abraço. Um beijo. Um carinho que faz arrepio. Uma noite de sexo. O cara do apartamento Y parece um sonho e pelo que sondei do condomínio, ele é tranquilo, faz as tarefas domésticas pela avó, concluiu o curso, trabalha (agora em home office) e já comentaram que ele é caidinho por mim. Sempre que faço uma entrega e ele está sozinho é um deus-me-acuda, quase um teste de fidelidade. Cada mensagem no whats pedindo uma encomenda ou perguntando que horas farei a entrega faz o meu coração bater rápido.
Me sinto errada por querer outro cara, de querer tentar uma possibilidade que pode dar muito certo. Sei que possivelmente a carência tá me fazendo fantasiar muito a situação toda, mas não consigo evitar. Não quero trair meu namorado mas não sei por quanto tempo mais aguento esse deserto de relacionamento.
Conselhos?
ATUALIZAÇÃO: Sentei essa noite e coloquei as cartas na mesa. Falei sobre como eu me sentia só, sobre ele sempre me trocar por qualquer coisa (pornografia, jogos, amigos) e que eu não vejo outra solução a não ser encerrar nossa relação.
Ele ficou mais chocado do que eu achei que ficaria e disse que nosso relacionamento não parecia ter nada de errado. Pontuei vários casos (os citados aqui no texto e outros) e ele ficou na defensiva, negando tudo ou dizendo que "não era isso". Perdi a cabeça e comecei a falar que qualquer cara que me olha na rua me dá mais atenção em um olhar do que o que ele anda me dando dentro do relacionamento.
Ele abaixou a cabeça e ficou quieto e sei que é nessas horas que eu fraquejo e volto atrás em tudo que disse. Ele me perguntou se ele nunca me fez feliz e eu disse que não era o caso. Ele prometeu mudar, mas quando nos reconciliamos várias vezes de várias outras discussões ele sempre me prometia a mesma coisa, então eu disse que não conseguia mais acreditar e nem ter mais vontade de tentar.
Ele pegou algumas coisas e chamou um Uber. Por mensagem só disse que ia para os pais dele e que não me responderia por um tempo. Ok, entendo, sem problemas.
Faz quase duas horas que minha sogra me mandou mensagem dizendo que ele chegou lá muito abatido e perguntando o que aconteceu. Eu não respondi e pra ser sincera, nem quero papo. Ainda me sinto muito responsável por ele estar mal agora, mas ele tem que aprender a lidar com isso. E eu também tenho que aprender.
Obrigada pelas mensagens carinhosas e pelo apoio de todos.
submitted by sad__cloud to desabafos [link] [comments]


2020.10.29 09:04 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 4.2: Brexit]

Olá amigos!
Hoje é dia de outro tema fracturante: o Brexit que todos conhecemos e adoramos!
Eu não sou de forma nenhuma entendido em política ou economia, mas como bom português que sou gosto de mandar umas postas de pescada. Assim, ficam com a minha perspectiva sobre o assunto e como é que acho que vai afectar a minha vida num futuro próximo.

TL;DR

Olha lá, e o Brexit?

Se ganhasse 1£ de cada vez que me perguntaram isto antes de me mudar já tinha praí... 10£. Se vai ser um problema? Vai. Se acho que me vai afectar? Acho. Se acho que vai ser uma catástrofe para o UK? Acho. Se acho que vai ser o meu fim? Nah.
Senão vejamos: antes de me mudar eu
Ao mudar-me fiquei substancialmente melhor em todos estes aspectos. Agora imaginemos que o Brexit faz com que
A conta é simples: antes de vir, eu tinha muito pouco. Agora volvido um ano tenho poupanças, um carro, e um CV muito, muito mais forte. A somar a isto tudo, tenho uma vida profissional muito mais tranquila e encorajadora. Não dava a experiência por mal conseguida se me tivesse que ir embora já no dia 1 de Janeiro, e não conto fazer isso. Eu gosto muito da Inglaterra e dos ingleses mas, ao final do dia, esta não é a minha casa. A minha casa ainda é Coimbra, e ainda não fiz desta a minha, por isso mudar ainda não me custará tanto. Aqueles que eu acho que serão realmente afectados pelo Brexit são precisamente aqueles que o apoiam mais fervosoramente, pessoas como:
em suma, as pessoas que estão pior na vida e que menos possibilidades a têm de melhorar. Quando a inevitavel crise económica do Brexit bater, estas serão as primeiras pessoas a sofrer. Eu também posso sofrer, mas eu tenho perspectivas e uma almofada onde cair morto. Ainda hoje me espanta que a classe mais baixa é a que mais suporta o Brexit; convenceram os perús a votar no Natal.

A culpa é dos imigrantes

Tive um exemplo prático ainda antes de me mudar. Quando vim ser entrevistado pela última vez antes de ser contratado, a empresa trouxe-me ao UK para vir ver como era o campus, fazer a entrevista, etc. Como sou profundamente idiota, deixei que me mandassem para o aeroporto errado, mas mandaram-me um carro privado para fazer a viagem de 3h (!) para cada lado. O condutor era um senhor dos seus 60 anos, ex-militar, muito bem vestido e muito simpático e que me tratou incrivelmente bem. Como lhe disse que vinha a uma entrevista, ele ficou logo interessado se gostava do país e tudo mais. Disse-lhe que era português e, como todos os britânicos, disse que já lá tinha ido e que tinha gostado muito. Eu acho que ir ao Algarve é para os britânicos um bocadinho como ir a Meca; pelo menos uma vez na vida tem que ser.
Falámos de tudo e mais alguma coisa, porque tínhamos muito tempo, e ele às tantas perguntou se eu não estava preocupado com o Brexit. Eu na altura não tinha grande opinião formada sobre o assunto, mas comecei a resposta com algo estilo "enquanto potencial imigrante neste país, [...]". Ele já tinha feito a conversa dele de "os imigrantes são os piores e a Europa é que tem a culpa de tudo", mas de repente bateu-lhe na cabeça que tinha um potencial imigrante no carro, que não só vinha imediatamente integrar uma posição na sociedade mais priveligiada que a dele, como simultaneamente parecia ser um gajo porreiro!
E é esta a grande dissonância do Brexit. Nós sabemos obviamente que a culpa não é da Europa nem dos imigrantes, mas sim de sucessivos governos Tory que desmantelam sistematicamente os serviços públicos. Mas há pessoas que acreditam mesmo que a culpa é dos imigrantes que vêm "roubar os trabalhos", e isso tem necessariamente que levar a xenofobia. A minha abordagem a isto é muito simples: eu sou um gajo porreiro para toda a gente. Sou claramente estrangeiro: não sou loiro, tenho sotaque, e tenho geralmente uma atitude diferente da deles; mas nem por isso sou menos delicado e amigável. Isto força a tal dissonância: "se os imigrantes são merda, e este não é, então como é que isto funciona?" e eu, brexiter a brexiter, lá vou convertendo os que posso. É um problema que é muito maior do que eu e que eu não vou, nem quero, resolver. Antes quero ver arder e rir-me.
Quem vai beneficiar mais, naturalmente, são os que já são ricos. Vejam quem são as pessoas mais ricas do UK, e verão um padrão de brexiters com empresas sediadas fora do UK. Curioso!

Sou tuga no UK, devo contar fugir dia 1?

Estou em crer que não. De um modo geral, não acho que o movimento legal/burocrático/político/social seja no sentido de prejudicar os cidadãos europeus que já residem no UK.
O passo mais importante a dar, para já, é tratar do (pre-)settled status [5]. Isto inscreve-nos na base de dados do governo e permite-nos manter a maior parte das regalias que já temos, como a autorização de residência. Acredito que depois da deadline do pre-settlement seja mais complicado conseguir autorização de residência aqui, talvez passe a ser um processo mais semelhante ao que actualmente têm que fazer os cidadãos de fora da EU.
Portanto não conto com uma mudança radical no estilo de vida, mas conto com algumas alterações que poderão, a pouco e pouco, erodir o nosso bem estar:
E sabe-se lá mais o quê.
Da minha perspectiva, nenhum destes aspectos é um deal-breaker. No entanto, todos juntos, podem resultar numa conjuntura altamente desfavorável. Se se verificar realmente que a minha qualidade de vida piora muito nos próximos meses, ou 1 a 2 anos, então o mesmo avião que me trouxe até aqui também me leva a outro país qualquer. O que seria uma pena, porque eu gosto bastante da Inglaterra e dos ingleses, do campo e das estradas, das vacas e das ovelhas. Mas certamente há vacas e ovelhas noutras paragens.

Conclusão

A minha perspectiva é admitidamente afunilada para a minha situação em particular; há aspectos culturais, políticos e económicos que me escapam completamente, e cada pessoa com quem discuto o assunto tem uma opinião diametralmente diferente. Naturalmente, os imigrantes acham todos que o Brexit é uma campanha racista que varreu a nação, enquanto que alguns nativos parecem viver na crença de que é uma recuperação da soberania nacional.
Eu pessoalmente planeio "aguentar" pelo menos um ano a ver onde as fichas aterram. Para já estou numa situação suficientemente estável para fazer isso e, honestamente, não me apetece mudar de país outra vez.
Tugas no UK, que acham do Brexit?

Referências

As referências começam no 5 porque este post é a continuação do capítulo 4.1. Desta feita apoiei-me muito no The Guardian, que é uma publicação conhecida por ser ligeiramente left-leaning, mas é das que conheço a mais razoavelmente imparcial.
submitted by UninformedImmigrant to portugal [link] [comments]


2020.10.22 05:12 johansonslugsonsdof Me identifico como um impostor do among us.

Olá, pode parecer estranho e você deve me achar um completo esquizofrênico porém eu me considero de todas as formas como um boneco do jogo Among Us. Descobri o game a 7 meses atrás e imediatamente me apaixonei em ser um impostor, eu simplesmente amava poder matar outros jogadores e sabotar equipamentos, em um nível tão extremo que parecia ser excitante pra mim. Abandonei minha vida profissional e social para jogar como impostor 24 horas por dia. Até que comecei a notar coisas estranhas no meu corpo, eu acordava de manhã (pronto para jogar Among Us) e as vezes eu estava segurando uma faca ou então misteriosamente vestido com uma roupa vermelha. Isso continuou acontecendo cada vez com mais frequência até eu me tornar por completo um boneco do Among Us e sentir a vontade de matar pessoas. Agora posso me satisfazer na vida real além do jogo. Já assassinei minha família e meus amigos (claro, seguindo o cooldown e dando a chance a eles de descobrirem que eu era o impostor) e planejo sabotar o reator nuclear próximo a minha cidade e assim poder finalmente vencer a partida
submitted by johansonslugsonsdof to copypastabr [link] [comments]


2020.10.20 22:17 FanFan13 Qué comprobar cuando se compra ropa Vintage

No todo va a ser comprar ropa de Primark en sitios como Ropita.top, también hay que darse un paseo por las tiendas de ropa mas chic o vintage.
Una cosa notable de la ropa en estos días es que casi cualquier estilo parece funcionar. Si se ajusta al sentido de la moda de la persona y si esa persona se siente perfectamente cómoda y confiada con lo que lleva puesto, entonces el traje se vería como si saliera del armario de un icono de la moda. La ropa que fue común durante las últimas décadas, o incluso siglos, podría verse optimista cuando se arma adecuadamente. Y es por esto que la ropa vintage nunca pasaría de moda. Como cualquier otra pieza de ropa, hay algunas cosas a considerar cuando se compra ropa vintage. Aquí están algunas de ellas.
En primer lugar, uno siempre debe comprobar el tamaño de la ropa que va a comprar y esto se hace mejor probándosela. Cuando se compra cualquier tipo de ropa, es aconsejable que se pruebe la talla antes de pagarla. Esto le ahorraría al comprador la molestia de volver a la tienda para cambiar la ropa por una talla más grande o más pequeña. ¿Qué pasa si eliges comprar ropa vintage por Internet? Eso no es un problema. Todo lo que hay que hacer es pedirle al vendedor las medidas exactas de esta ropa. Pero antes de esto, el comprador debe saber las medidas de su propio cuerpo. Es importante comprar algo que le quede bien ahora, no la próxima semana o el próximo mes. Algunas personas cometen el error de comprar algo que es una talla demasiado pequeña y piensan que pueden perder peso, pero no lo hacen; esto significa que sólo se desperdicia dinero en ropa que ni siquiera se puede usar. Sería un gran desperdicio si se tratara de una pieza única de ropa vintage. En resumen, compra algo que te quede bien, en este momento.
Además, cuando se trata de la talla, es importante tener en cuenta que la auténtica ropa vintage suele venir en tallas más pequeñas en comparación con la ropa típica que se usa hoy en día. Las tallas de la ropa han crecido desde aquellos días. Esto significa que un suéter vintage de gran tamaño podría en realidad ajustarse a una persona de tamaño pequeño. Además del tamaño de la prenda en su conjunto, también se debe comprobar el largo de las mangas junto con el ancho de los hombros, el pecho y la cintura de la prenda, entre otras cosas. Esto es especialmente cierto para la ropa de segunda mano. Estas prendas pueden haber sido probablemente hechas a medida para adaptarse al propietario. Algunas prendas pueden tener mangas más largas o un pecho más ancho que puede parecer incómodo cuando lo lleva otra persona. Cuando compre vestidos o abrigos, sepa el largo apropiado que se ajuste a su altura.
También deben tenerse en cuenta los colores, patrones y estampados de la ropa de época. Vintage probablemente significa más sobre los estampados y patrones de las telas que sobre todo lo demás. Los estampados de las prendas de vestir de época suelen ser estampados florales o de cachemir. Es importante elegir el tamaño de los estampados, también. Los estampados más pequeños y finos esconden lo que hay que ocultar y pueden hacer que una persona parezca más delgada de lo que es. Los estampados más grandes o más audaces acentúan los rasgos en lugar de esconderlos. En cuanto a los patrones, los trajes a cuadros y con lunares pueden considerarse clásicos. Las chaquetas a cuadros añaden un estilo vintage tanto a los trajes de mujeres como a los de hombres. Los patrones de rayas pueden ser difíciles de encontrar. A menudo, se prefiere la ropa de rayas verticales a la de rayas horizontales. Las rayas verticales en la ropa vintage o en cualquier otra prenda, dan la ilusión de altura a una persona mientras que las rayas horizontales añaden anchura. Los diferentes anchos de las rayas también muestran diferentes efectos. Las rayas anchas son más atrevidas, acentuando así ciertos rasgos, especialmente cuando se colocan estratégicamente en el tejido, mientras que las rayas estrechas casi tienen el mismo efecto que los estampados finos.
submitted by FanFan13 to u/FanFan13 [link] [comments]


2020.10.14 12:20 DonaBruxa_Deyse O Padre- Verídico

⚠️TEXTO LONGOOOOOO⚠️PREGUIÇOSOS PASSEM RETO⚠️
Eu contei um relato dias atrás de uma consulente de tarô. Depois desse relato, tenho recebido dezenas de relatos de pessoas contando suas experiências com Setealem. São relatos interessantíssimos e a maioria repleto de detalhes! Porém, essas pessoas, apesar de participarem de grupos como esse, sentem-se inseguras em compartilhar essas experiências devido ao modo hostil como muitos criticam e reagem, com medo de serem chamados de loucos e/ou mentirosos. Então coleguinhas, policiem-se e moderem as palavras nos comentários, tenham empatia com os que tem coragem de expor e que compartilham essas experiências. Se todos nós estamos nesse grupo é porque somos curiosos e nos interessamos pela temática. Estamos no mesmo barco e que essas histórias sejam recebidas com respeito, empatia, oportunidade para conspirarmos, trocarmos informações, etc... Não sejam cretinos!
Essa pessoa entrou em contato comigo e a abordagem foi direta, sem rodeios:
“Fui padre da Igreja Católica. Foram quatro anos de estudos de filosofia, três anos de teologia, dois anos de estágio pastoral e um ano de diaconato. Mas nenhum estudo me preparou para o que aconteceria!
Desde a infância, quando acompanhava a minha avo na missa dominical das 8 horas, soube que o Sacerdócio era minha missão. Minha avó faleceu dois dias antes da Celebração, Missa Eucarística de minha ordenação. Ela foi uma avó maravilhosa, amorosa, mãe zelosa, esposa virtuosa e fiel, devota! Mas nós familiares, mesmo amando-a, sabíamos da pessoa difícil, arrogante, preconceituosa que sempre fora. Minha mãe sempre nos contou das coisas horríveis que minha avó fora capaz de fazer em nome da família. Seus pais, meus bisavós, foram donos de fazendas de engenho e, inegavelmente, por décadas minha família se beneficiou do trabalho escravo, do uso da força, violência e poder para acumular bens e fortuna. Na cidade onde nasci, nosso sobrenome é sinônimo de tradição. Sempre senti um peso por carregar meu sobrenome. Sempre senti vergonha e pesar. Não sei explicar, mas desde que me entendi como gente e ouvia sobre nosso passado, quis ser diferente. Não poderia apagar o passado, compensar as pessoas que foram prejudicadas ou mortas por meus antepassados, mas eu posso evoluir. Para mim o sermão nas missas dominicais me fizeram acreditar que não havia coisa mais gloriosa, mais honrosa, mais nobre, que fazer parte da Igreja santa, católica, apostólica, romana, na qual me tornei membro de tão venerando corpo; que governava uma tão excelsa cabeça; que me imundava do Espírito divino, enfim, eu acreditei que o mesmo Pão dos Anjos me alimentaria nesse exílio terreno, até que eu pudesse descansar junto a Cristo nos céus. Resolvi que nada me daria maior felicidade que o Sacerdócio. Viveria pra amar o próximo, faria caridade, vivenciaria os ensinamentos de Jesus. Fiz da palavra bíblica do exemplo de Cristo, minha única verdade! Tudo o resto, blasfêmia. Minha mãe chorou durante todos os anos de seminarista. Sou o único filho. Para ela, eu ser católico era uma benção, nas padre, desperdício de vida!
Meu primeiro contato com o mundo paralelo foi no dia da minha celebração de ordenação! Enquanto, na sacristia da igreja, vestia meu paramento sacerdotal ( batina), comecei a sentir um mal estar, minha cabeça começou a girar. Respirei fundo, baixei os olhos e amarrava o cordão do franciscano na cintura, ouvi o som de um tambor. Estava preparado para aquele momento e sabia cada detalhe dos rituais que seguiriam! Tambor nenhum fazia parte dos ritos! Ao levantar o meu olhar, não estava mais na sacristia! Estava preparado para qualquer coisa naquele dia, jamais para aquilo! Eu estava literalmente no meio da rua de um lugar desconhecido! Não era possível porque estar ali ia contra tudo o que eu acreditava! Estava vestido com minha batina, numa rua, de uma cidade horrível! Tudo era sépia! Tudo era velho e tinha um odor fétido. Comecei a rezar e peguei o terço no bolso e vi surgir uma procissão! Eram pessoas diferente de qualquer ser humano que tinha visto antes. Todos eram polacos, louros, olhos amarelos e notei que os pés de nenhum deles tocavam o chão. No meio deles, minha avó amarela, loura, olhos amarelos como dos outros... mas ainda era minha avó! Ela disse: - Vai embora daqui agora! Vai embora porque não é o seu lugar! Eu rezava e pensava que era o demônio me tentando! Ouvi o tambor bater sete vezes e muito alto, seguido de um relâmpago. Ouvi alguém chamar meu nome e estava outra vez na sacristia! Desatei chorar e fui levado por um Sacerdote a uma sala onde contei o ocorrido. Ouvi um sermão, ele disse que eu era um homem de pouca fé, que bai deveria repetir aquilo pois blasfemaria e que era o demônio me provando. Resolvi calar. Depois daquilo, não me concentrei mais e durante toda a minha ordenação, vão ouvi uma palavra mais. Tempos depois, fui designado paroco de uma igreja em Campinas, São Paulo. Mas eu não era mais o mesmo, minha fé foi abalada e comecei a acreditar que existiam outras verdades. Comecei a procurar e pesquisar até chegar aos relatos de Setealem. Foi num domingo, minutos antes da missa que celebraria, dentro da sacristia da minha paróquia, enquanto vestia novamente minha batina, que acordei em Setealem.
Quando abri os olhos, estava na cidade de cor sépia do lado da minha avó! Foi ela que me mostrou toda a cidade. Foi ela que me apresentou o amor da minha vida. Foi ela que me explicou que aquela cidade era o meio. O meio é a fração de tempo entre o passado, presente e futuro. Ela contou que estava ali por merecimento. Não era castigo, era consciência! Ela me e mostrou que a vida naquele lugar não era bom nem ruim, apenas era. Contou que a Terra era desejada por ter regalias mas que não sabemos aproveitar! Contou que os que vivem ali, invejam nós que vivemos aqui. Contou que eles ficam furiosos quando atravessamos para o paralelo deles e que se sentem vigiaria por nós! Contou que eles são vigiados e que a regra é não fazer barulho para que nos não os escutemos! Contou que ” missionários escolhidos” daquele paralelo, podem se misturar conosco nosse plano. Foi ela que me prendeu por anos naquele lugar.
La, minha avó morava num casebre miserável. Faltava tudo! Ela se alimentava de restos e muitas vezes tinha vermes. A água era grossa, cheirava lama podre. Durante todo o tempo que estive ali, senti fome e sede. Ela me proibiu de tocar nas coisas, comer e beber. Segundo ela, seria veneno pra mim e esse veneno me impediria de voltar pra cá ( terra) quando fosse hora! Só soube que estive ausente por anos. Pra mim, apenas tinha estado lá por um longo dia... o dia que não acabava nunca! Minha avó também disse que todo ser desse plano, há esteve naquele outro. Contou ela que nem todos tem percepção e que nossos sonhos nunca são apenas sonhos.Todo mundo já esteve lá! Todo mundo! Foi um dia tão longo, que deu tempo de conhecer meu futuro esposo lá. Num determinado momento, minha avó sumiu. Quando voltou, estava em companhia de um rapaz tão estranho quanto os outros moradores de lá. Minha avó disse o nome dele e pediu que eu memorizasse aquele rosto. Disse que aguardavam um hospedeiro!Foi o tempo da minha avó dizer isso e eu piscar, o rapaz sumiu diante dos meus olhos! Ela pediu que eu entregasse o terço que estava no meu bolso e me entregou uma espécie de relicário feito de um tipo madeira. Me acompanhou até uma estação de trem. Essa estação era no meio do nada. Os lugares naquele paralelo, aparecem e desaparecem em frente os nossos olhos. Quando relembro essa segunda vez que estive lá, as vezes parece que andei, outras que era teletransportado de um lugar ao outro. Parecido com sonhos que num momento estamos num lugar, ora em outro. Não houve despedida! Pisquei e estava dentro do trem! Pisquei e acordei numa cama de hospital. Soube que estive em coma por cinco anos no hospital da PUCC. Minha mãe esteve ao meu lado todos esses anos. Eu nunca tive coragem de contar isso. Absolutamente ninguém soube disso até hoje. Depois de voltar, não senti vontade de continuar o Sacerdócio. Ainda fiquei duas semanas no hospital até a alta. No dia da minha alta, as enfermeiras estavam agitadas. Era uma correria, cochichos, risadinhas porque naquele mesmo dia tinha sido apresentado o novo neurocirurgião que tinha assumido a equipe. Eu estava tão absorto nos meus pensamentos e em como eu encararia minha vida. Era difícil encarar que eu perderá minha fé e crenças. Minha mãe chegou, ajudou a me vestir, calçar sapatos, pentear o cabelo. Minha mãe pendurou um relicário de madeira no meu pescoço. Tinha a uma foto amarelada de vovó dentro dele. Segundo ela, tinha sido de vovó e que rezou segurando ele na mão. Nesses 5 anos, pedia pra vovó, ampara-lá na fé e que intercedesse pela minha saúde de onde quer que estivesse. Eu estava magérrimo, pele amarelada também. Quando me olhei no espelho, vão me reconheci. Queria sair dali, dar um novo rumo para a minha vida. Esperávamos passar o tal neuro e sua junta médica para última avaliação.
Ele entrou no quarto, e então soube que não tinha estado em coma. O médico recém chegado, era o rapaz que minha avó me apresentou. Ele também tinha pendurado um relicário de madeira no pescoço idêntico ao meu. Sorrimos. Larguei a batina porque entendi que EXISTE UM SÓ PARA TODOS! Casamos há 3 anos. Juntos há 10 nesse plano. Moramos em Brasília. Aguardando nosso filho( adotamos) chegar. Militante da causa LGBTQQICAPF2K+. Minha avó não está mais no mundo paralelo. Evoluiu! Voltamos algumas vezes pra visitar a família dele no plano paralelo!
submitted by DonaBruxa_Deyse to u/DonaBruxa_Deyse [link] [comments]


2020.10.10 17:46 P4d0 Sempre fui a criança diferente das outras

Bem, eu sempre fui o garoto nerd, gosto de músicas como as do David Bowie, Queen, Guns N' Roses, Metallica, System Of A Down, etc muito diferente dos meus amigos que sempre preferiram algo mais "atual", o meu gosto pra outras coisas não é diferente era o único que assistia animes, nunca gostei muito de esportes, meu nítido amor por RPG, sempre gostei de ter cabelo grande. Nota: lembrei de um post que eu vi aqui mesmo de uma menina que foi conversar com um garotinho vestido de Harry Potter em uma festa de halloween, eu sou basicamente ele. Tenho dificuldade pra me enturmar, sempre fui taxado de estranho mas nunca liguei muito pra isso, sempre fui evitado de certa forma também. Gosto de usar roupas largas e diferentes de vez em quando, ontem mesmo coloquei uma camisa social rosa pra ir buscar pizza. Nunca fui muito compreendido pelas pessoas, principalmente amigos de escola, sempre tinha que me adaptar pro que eles estavam gostando, então era basicamente assim: se eles gostassem de Transformers por exemplo, eu tentava saber o máximo sobre o assunto pra poder conversar com eles também, eu sinto que nunca fui eu mesmo de verdade, mas agora acho que isso está mudando, meus amigos começaram a assistir animes e agora conversamos mais sobre coisas que eu gosto (ainda estou sendo chamado de estranho). Teve um período da minha vida em que eu simplesmente não queria mais ter que forçar uma conversa com meus amigos, então sempre acabava me isolando durante as aulas, meus amigos acabavam contribuindo pra isso também já que ninguém queria sentar comigo e eu sempre sobrava quando era pra formar duplas, só queriam sentar comigo quando era alguma coisa em que eles queriam tirar nota boa, pq sempre fui considerado "inteligente". Recentemente minha melhor amiga me falou que vai se mudar pro interior, não sei oq vou fazer sem ela, sorte que tenho parentes que moram próximos de onde ela está =). Meus amigos sempre quando vão se referir a mim brincando me chamam de "SadBoy", creio que pelo meu estilo musical e ações que acabo tomando. Desisto das coisas muito rápido, perco o "tesão" de fazer alguma tal coisa, a minha última desistência foi tentar aprender JavaScript, tava me divertindo até que bastante, mas não pq eu desisti. Meus amigos meio que ignoram tudo oq eu falo, a não ser que seja um shittposting, é como se só agora, depois de praticamente 8 anos estudando com eles que eu descobri quem são meus amigos de verdade, aquela que realmente se importam com oq eu falo.
PS: Achei ficou mto grande, meio fora de ordem e acho que usei muitas aspas, então peço desculpas caso isso incomode alguém.
submitted by P4d0 to desabafos [link] [comments]


2020.09.26 17:31 iglesiadecristocc Interpretación bíblica - Hermenéutica y Traducciones


https://reddit.com/link/j0823t/video/ws45fd8jgip51/player
HERMENÉUTICA
Para analizar un texto bíblico iniciamos con la exégesis y continuamos con la hermenéutica.
Hermenéutica es la aplicación correcta del texto para nuestro tiempo, lo que quiere decir en nuestro contexto.
Es imposible hacer hermenéutica antes de la exégesis. No es correcto empezar directamente con la aplicación del texto al hoy, aislándolo del significado original; de aquí surge el siguiente lema: "un versículo no significa hoy lo que no significó originalmente".
Alguien que pase por alto la exégesis y lea 1 Corintios 11:7 (El varón no debe cubrirse la cabeza, pues es imagen de la gloria de Dios;) posiblemente llegará a la conclusión equivocada que para el hombre es pecado usar gorra o sombrero. Otros dirán que para la mujer es pecado usar pantalón, apoyándose en Deuteronomio 22:5 (La mujer no llevará ropa de hombre ni el hombre se pondrá vestidos de mujer, porque el que hace esto es una abominación para Yahvé tu Dios).
¿1 Co 11:7 se refiere al uso de gorra o sombrero? ¿Dt 22:5 dice que la mujer no debe usar pantalón? Pastores que prohíben a la mujer el uso del pantalón, NO prohíben a los hombres el uso de gorra o sombrero - esto es una arbitrariedad e inconsistencia. Un texto bíblico no puede significar hoy lo que en su momento original no significó.
1 Co 14:5 no me exige hablar en otros idiomas, ¿lo digo porque así me enseñó alguno de mis líderes religiosos? NO. Esto lo sé por haber realizado exégesis al pasaje bíblico.
3 Jn 2 no enseña que todos los hijos de Dios deben tener mucho dinero.
Al usar estos ejemplos no pretendo hacer una lista de cosas que usted debe creer, quiero más bien animarlo a sacar sus propias conclusiones. Hágase preguntas, dude de todo lo que escucha, verifique, investigue, compruebe, sea como los hermanos de Berea (... Diariamente examinaban las Escrituras para ver si las cosas eran así. - Hch 17:11).
No haga las cosas solamente porque otro las hace. Permítame ser un poco atrevido en mi próximo comentario.
Si alguien me dice: "Dios te bendiga", ¿por qué no le contesto diciéndole "Amén"? Porque me sentiría muy egoísta; al contestarle con un amén solamente estoy diciéndole que estoy de acuerdo con su buen deseo. Entonces debo corresponderle, "Gracias, Dios bendiga a usted también", no solamente a mí. Le he preguntado a varios, ¿por qué usted contesta con un amén cuando alguien le dice "Dios te bendiga"? La mayoría me ha respondido: "porque así lo hacen los demás".
No haga las cosas solamente porque otro las hace, haga lo mismo que otros solamente si usted descubre que es correcto.
¿Quién establece la interpretación correcta de un pasaje bíblico? ¿Una iglesia? ¿Un líder? Realmente todos tenemos la obligación de buscar el mensaje divino que se encuentra en los pasajes bíblicos.
VERSIONES DE LA BIBLIA
Ya que usted y yo no dominamos los idiomas hebreo, arameo y griego, necesitamos las mejores traducciones de las copias que conforman la Biblia.
Usted habrá escuchado los siguientes términos: Sinaítico, Vaticano, Alejandrino, Stuttgartensia, Masorético, Septuaginta, Pentateuco Samaritano, Del Desierto De Judea y otros; estos son manuscritos de donde se han obtenido diferentes versiones de la Biblia. No existen manuscritos originales de la Biblia, estos eran rollos de papiro que con el tiempo fueron deteriorándose y perdiéndose. Solamente del Nuevo Testamento se contabilizan unas 5,700 copias existentes, y entre ellas se dice que hay no menos de 250,000 variantes.
El proceso para llegar hasta la Biblia que usted usa fue el siguiente:
Texto original -> Transcripción (¿algunos errores?) -> Restauración -> Traducción (versiones de la Biblia)
Aunque tengo mi traducción favorita, me mantengo alerta comparando entre las mejores traducciones para evitar conclusiones apresuradas.
Algunos ejemplos de las variantes:
- 1 Corintios 7:36
Vea cómo la Reina Valera (RV) quiso hacer una corrección, en su versión 2015
RV 1960 - "Pero si alguno piensa que es impropio para su hija virgen..." RVA 2015 - "Si alguien considera que su comportamiento es inadecuado hacia su virgen..."
En la versión 2015 queda ambigua la traducción, como que ahora no están seguros si era hija la virgen, o talvez no les gustó la idea de reconocer que hubo un error en la versión 1960.
Notemos cómo lo traducen otras versiones:
Nueva Versión Internacional (NVI) - "Si alguno piensa que no está tratando a su prometida como es debido..." Biblia de Jerusalén (BJ) - "Pero si alguno teme faltar a la conveniencia respecto de su novia..."
Las versiones antiguas de las biblias se apoyaban en ciertos manuscritos, de prestigio en su momento, pero luego se han considerado otros elementos como descubrimiento de nuevos manuscritos que por ser más antiguos son más dignos de credibilidad. Por ejemplo, los Rollos de Qumrán datan entre los años 250 a.C. y 66 d.C., y fueron descubiertos en el Mar Muerto (algunos en 1946 y otros hasta en 1956). Hay copias que son más confiables que otras, y es muy importante reconocer que una institución es más seria que otra en esta difícil tarea de la traducción.
- 1 Samuel 13:13
1) RV 1960 - (Jehová - Dios - Jehová) "no guardaste el mandamiento de Jehová tu Dios que él te había ordenado; pues ahora Jehová hubiera confirmado tu reino sobre Israel para siempre." 2) Traducción del Nuevo Mundo 2019 - (Jehová - Dios - Jehová) "No has obedecido el mandato que te dio Jehová tu Dios. Si lo hubieras hecho, Jehová habría afianzado tu reino en Israel para siempre." 3) RVA 2015 - (Señor - Dios - Señor) "No guardaste el mandamiento que el SEÑOR tu Dios te dio. ¡Pues ahora el SEÑOR hubiera confirmado tu reino sobre Israel para siempre!" 4) NVI - (Señor - Dios - Señor) "No has cumplido el mandato que te dio el Señor tu Dios. El Señor habría establecido tu reino sobre Israel para siempre," 5) BJ - (Yahveh - Dios - Yahveh) "si hubieras cumplido la orden que Yahveh tu Dios te ha dado, entonces Yahveh hubiera afianzado tu reino para siempre sobre Israel." 6) Biblia Textual IV - (YHVH - Elohim - YHVH) "No has guardado el mandamiento que YHVH tu Elohim te ordenó, pues ahora YHVH hubiera confirmado tu reino sobre Israel para siempre."
* Las versiones de los incisos 1 al 5 coinciden en el término "Dios" * La Reina Valera no usa el término "Jehová" en la versión 2015 (en la 1960 sí lo usó) * Las versiones de los incisos 2, 3 y 4 usan el término "Señor" * La Biblia de Jerusalén coincide con la Biblia Textual al usar Yahveh (YHVH) y Dios (Elohim) - en nuestro video "Nombres y títulos de Dios" puede ver más información sobre este tema -
Para sorpresa de muchos, la versión Reina Valera 1960 está basada en manuscritos tardíos y pobres, la mejor prueba de esta afirmación es que ella misma ha hecho cambios significativos en la versión 2015. Curiosamente esta versión llegó para quedarse en la mayoría de iglesias que conozco, se resisten a usar otra versión, y lo peligroso es que algunos miembros afirman que esta es la única correcta.
Teól. Fernando Montes

A SOLAS CON CRISTO
A solas al huerto yo voy, Cuando duerme aún la floresta, Y en quietud y paz con Jesús estoy, Oyendo absorto allí Su voz.
Coro: Él conmigo está, puedo oír Su voz, Y que Suyo, dice, seré. Y el encanto que hallo en Él allí Con nadie tener podré.
Tan dulce es la voz del Señor Que las aves guardan silencio, Y tan solo se oye esa voz de amor Que inmensa paz al alma da.
Con Él encantado yo estoy, Aunque en torno lleguen las sombras, Mas me ordena ir, y a escuchar yo voy Su voz de acción para obrar.
Voz: Ramón Ayala
submitted by iglesiadecristocc to u/iglesiadecristocc [link] [comments]


2020.09.21 04:57 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 9)

Vamos fechar A Tormenta de Espadas.
Assim como ocorreu com a tomada de Ponta Tempestade, Stannis tem muitas recompensas narcísicas ao ajudar a Patrulha da Noite. Ele se instala na Torre do Rei (que não é nenhum trono de ferro, mas já significa algo), consegue uma vitória esmagadora, captura centenas de prisioneiros, enxerga oportunidades nos castelos e terras abandonados da Patrulha e encontra Jon Snow.
Sim, Jon Snow é tratado pelo Rei de Pedra do Dragão como um sinal de R’hllor, pois seus planos inicias limitavam-se em chegar até a Muralha:
Pode ser que me engane com você, Jon Snow. Ambos sabemos o que se diz dos bastardos. Poderá faltar a você a honra de seu pai, ou a perícia de seu irmão com as armas. Mas é a arma que o Senhor me deu. Encontrei-o aqui, tal como você encontrou o esconderijo de vidro de dragão aos pés do Punho, e pretendo usá-lo. Nem Azor Ahai venceu sozinho a sua guerra.
(ASOS, Jon XI)
Stannis também está novamente em seu ambiente, se preparando para uma guerra. Em vez de estar sentado, isolado, derrotado e tendo que decidir se sacrifica uma criança para realizar uma antiga profecia, Stannis está ouvindo relatos de primeira mão de pessoas que viram o inimigo em carne (gelo) e osso. Até pelo Portão Negro o rei se interessa.
Diferentemente de estar apático e entregando o controle dos homens a outras pessoas (como estava fazendo em Pedra do Dragão), Stannis volta a seu papel de comandante com punho de ferro. Os homens da Patrulha notam facilmente a diferença entre os homens do Rei e os homens da Rainha:
Aqueles eram homens do rei, porém; Sam rapidamente tinha aprendido a diferença. Os homens do rei eram tão terrenos e ímpios como quaisquer outros soldados, mas os da rainha eram fervorosos na sua devoção a Melisandre de Asshai e ao seu Senhor da Luz.
(ASOS, Samwell IV)
O sabor da vitória na Muralha também reaviva o senso de justiça de Stannis.
O Rei Stannis mantém bem os seus homens na mão, isso é evidente. Deixa-os saquear um pouco, mas só ouvi falar de três selvagens estupradas, e os homens que o fizeram foram todos castrados.
(ASOS, Samwell IV)
Vestido como um homem comum da Patrulha da Noite, pode-se dizer que o rei está de volta a sua confortável simplicidade. Entretanto, ainda usa um broche com seu coração flamejante.
Estava vestido com os mesmos calções, túnica e botas negras que um homem da Patrulha da Noite usaria. Só o seu manto o distinguia: um pesado manto dourado forrado de peles negras, e preso comum broche coma forma de um coração flamejante.
(ASOS, Jon XI)
Eu não saberia afirmar com certeza, mas ao falar apenas do pequeno broche sem mencionar a coroa, GRRM nos dá a impressão de que Stannis estaria menos disposto a ostentar símbolos religiosos que causassem estranheza. De fato, Stannis chega a Castelo Negro portando dois estandartes, um da Casa Baratheon e outro com o coração flamejante.
Flutuando sobre eles vislumbravam-se os maiores estandartes vistos até então, estandartes reais grandes como lençóis; um amarelo com longas pontas, que exibia um coração flamejante, e outro que era como uma folha de ouro martelado, com um veado negro empinando-se e ondulando ao vento.
Robert, pensou Jon durante um momento louco [...]
(ASOS, Jon X)
Eu não duvidaria que a idéia de usar ambos os estandartes tenha vindo de Davos, pois ele já observara que o veado coroado poderia funcionar para elevar o moral dos aliados da Casa Baratheon e intimidar inimigos:
No topo das ameias da Fortaleza Vermelha flutuavam os estandartes do rei rapaz: o veado coroado de Baratheon no seu fundo dourado, o leão de Lannister sobre carmim. […] O coração flamejante estava por toda parte, embora o minúsculo veado negro aprisionado nas chamas fosse pequeno demais para se ver. Devíamos ter hasteado o veado coroado, pensou. O veado era o símbolo do Rei Robert, a cidade rejubilaria ao vê-lo. Esse estandarte de um estranho só serve para colocar os homens contra nós.
(ACOK, Davos III)
Entretanto, convém observar que, aparentemente, o estandarte Baratheon clássico é maior do que o Coração Flamenjante:
O grande, o dourado com o veado preto, é o estandarte real da Casa Baratheon – disse Sam para Goiva, que nunca antes tinha visto bandeiras. – A raposa comas flores são da Casa Florent. A tartaruga é de Estermont, o peixe-espada é de Bar Emmon e as trombetas cruzadas pertencem aos Wensington.
São todos brilhantes como flores. – Goiva apontou. – Gosto daqueles amarelos, como fogo. Olhe, e alguns dos guerreiros têm a mesma coisa nas blusas.
Um coração flamejante. Não sei de quem é esse símbolo.
Descobriu bastante depressa.
(ASOS, Samwell IV)
O que isso quer dizer? Provavelmente nada, afinal Stannis ainda está firme me sua aliança com Melisandre.
Homens da rainha – disse-lhe Pyp […] -– mas é melhor que não ande por aí perguntando onde está a rainha. Stannis deixou-a em Atalaialeste, coma filha e a frota. Não trouxe mulher nenhuma além da vermelha.
(ASOS, Samwell IV)

É como dizem. Esta é que é a sua verdadeira rainha, e não aquela que deixou em Atalaialeste.
(ASOS, Jon XI)
O rei ainda fala em entregar prisioneiros às chamas como método de execução:
– Enquanto seus irmãos tentam decidir quem deve liderá-los, eu tenho falado com este Mance Rayder. – Rangeu os dentes. – Um homem teimoso, esse, e orgulhoso. Não vai me deixar outra escolha a não ser entregá-lo às chamas.
(Jon XI)
Inclusive, quando Jon Snow aponta que seus votos o impedem de aceitar a oferta de Stannis, Melisandre apresenta argumentos inteiramente baseados em sua fé e ainda fala em queimar represeiros, em um gesto explícito de intolerância religiosa, sem que Stannis lhe faça qualquer reprimenda.
R’hllor é o único deus verdadeiro. Um juramento prestado a uma árvore não tem mais poder do que um juramento prestado aos seus sapatos. Abra o coração e deixe que a luz do Senhor entre nele. Queime esses represeiros e aceite Winterfell como presente do Senhor da Luz.
(ASOS, Jon XI)
Então por que Stannis fica desconfortável quando Melisandre declama diante dos homens da Patrulha que ele é Azor Ahai renascido?
[...] todos pareceram surpreendidos ao ouvir Meistre Aemon murmurar:
A guerra de que fala é a guerra pela alvorada, senhora. Mas onde está o príncipe que foi profetizado?
Ele está na sua frente – declarou Melisandre –, embora não tenha olhos para ver. Stannis Baratheon é Azor Ahai regressado, o guerreiro do fogo. Nele, as profecias cumprem-se. O cometa vermelho ardeu no céu para anunciar a sua vinda, e ele traz a Luminífera, a espada vermelha dos heróis.
Sam viu que as palavras dela pareceram deixar o rei desesperadamente desconfortável. Stannis rangeu os dentes e disse:
Chamaram, e eu vim, senhores. Agora têm de sobreviver comigo, ou morrer comigo. É melhor que se habituem a isso.
(ASOS, Samwell V)
A resposta mais óbvia é a de que ser a reencarnação de um herói mítico o lembra dos problemas que ele enfrentou aproximadamente 1 mês antes em Pedra do Dragão, envolvendo o sacrifício de Edric Storm.
Como dito acima, Stannis parece estar confortável em seu antigo papel de comandante militar e rei. Nós vimos a mesma coisa acontecer após a morte de Renly. O que trouxe Stannis à Muralha foi mais o senso do dever do que as previsões de Melisandre.
Sim, devia ter vindo mais cedo. Se não fosse o meu Mão, poderia nem sequer ter vindo. Lorde Seaworth é um homem de nascimento humilde, mas recordou-me de meu dever, quando tudo aquilo em que eu conseguia pensar era nos meus direitos.
(ASOS, Jon XI)
Aparentemente, Davos foi muito competente em conciliar os deveres de Stannis como herói com suas obrigações como rei sem envolver de maneira alguma a profecia de Azor Ahai:
Tinha posto a carroça antes dos bois, disse Davos. Estava tentando conquistar o trono para salvar o reino, quando devia estar tentando salvar o reino para conquistar o trono. – Stannis apontou para o norte. – É ali que encontrarei o inimigo que nasci para enfrentar.
(ASOS, Jon XI)
Esta versão agnóstica de seu propósito de vida parece ter agradado bastante Stannis e se projeta para o futuro da história, como veremos em A Dança dos Dragões. Por isso os discursos de Melisandre sobre profecias orientais parecem um pouco fora do contexto quando ele fala aos irmãos negros.
É interessante notar também que pode ser simplesmente que Stannis continue cético quanto a ser Azor Ahai. Principalmente depois que Melisandre deixou ser enganada por Davos, bem de baixo de seu nariz. Aliás, se o cavaleiro das cebolas refletisse sobre o que a própria Melisandre lhe disse sobre o dom para ver as chamas, poderia até alegar para Stannis que a visão que ele viu no fogo deveria ser uma farsa. A sacerdotisa diz que a leitura das chamas requerem anos de prática e zomba de sor Axell por ter-se dito capaz (talvez porque tenha sido ela quem forjou imagens nas chamas enquanto mostrava a ele):
– O fogo é uma coisa viva – a mulher vermelha tinha dito, quando lhe pediu que o ensinasse a ver o futuro nas chamas. – Está sempre em movimento, sempre em mudança... como um livro cujas letras dança me se movimentam mesmo enquanto se está tentando lê-las. São precisos anos de treino para ver as silhuetas por trás das chamas, e mais anos ainda para aprender a distinguir as silhuetas daquilo que irá acontecer das que mostram o que poderá acontecer ou o que já aconteceu. Mesmo então, é difícil, difícil. Vocês, os homens das terras do poente, não compreendem. – Davos perguntou-lhe então como Sor Axell tinha aprendido tão depressa o truque, mas ao ouvir isso ela limitou-se a dar um sorriso enigmático e dizer: – Qualquer gato pode fitar uma fogueira e ver ratos vermelhos brincando.
(ASOS, Davos VI)
Porém, eu não acredito que seja o caso. Davos não deve ter feito esta conexão. Caso contrário, o comportamento de Stannis seria outro. O Baratheon do meio tem uma tolerância pequena a ser feito de bobo.
Os homens da Patrulha aprendem isso rapidamente com a eleição do novo Lorde Comandante. A demora na escolha deixa o rei furioso a ponto de Stannis fazer diversas ameaças e gestos tolos de vingança, como quando ele deixa os homens da Patrulha ajoelhados por muito tempo sem dar licença para que eles levantem da saudação.
O rei estava zangado. Sam viu-o de imediato. Enquanto os irmãos negros entravam, um a um, e ajoelhavam na sua frente, Stannis afastou o café da manhã de pão duro, charque e ovos cozidos, e olhou-os friamente. A seu lado, a mulher vermelha, Melisandre, parecia achar a cena divertida.
O Rei Stannis manteve os irmãos negros de joelhos durante um tempo extraordinariamente longo.
(ASOS, Samwell V)
O rei também já havia confidenciado a Jon Snow que iria sovar o novo Lorde Comandante a fim de instalar os selvagens na Dádiva:
Vou instalá-los na Dádiva, depois de arrancá-la de seu novo Senhor Comandante.
(Jon XI)
E completa:
Não sou um homem paciente, como os seus irmãos negros estão prestes a descobrir.
(Jon XI)
Mais tarde, Samwell usa estes posicionamento de Stanis para criar um boato de que o rei pretende ele mesmo nomear o próximo Lorde Comandante. Mas não só ele. Os rumores também estão sendo utilizados pelos apoiadores de Janos Slynt.
Se permitirmos que Stannis escolha nosso Senhor Comandante, transformamo-nos em seus vassalos em tudo menos no nome. Não é provável que Tywin Lannister se esqueça disso, e você sabe que será Lorde Tywin quem vai ganhar no fim. Já derrotou Stannis uma vez, na Água Negra.
(ASOS, Jon XII)
Porém, Stannis realmente planejava interferir na eleição da Patrulha?
O rei de Pedra do Dragão fez algumas ameaças contundentes aos irmãos negros que parecem indicar que ele está realmente disposto a interferir nas escolhas da Patrulha.
[...] Seus irmãos escolherão um Senhor Comandante esta noite, caso contrário eu farei desejarem que tivessem escolhido.
(ASOS, Samwell V)
Até mesmo depois de que o processo estava acabado, Stannis continuava ameaçando remover Jon do cargo caso fosse contrariado.
[…] Disseram-me que você é o nonocentésimo nonagésimo oitavo homem a comandar a Patrulha da Noite, Lorde Snow. O que você acha que o nonocentésimo nonagésimo nono diria sobre esses castelos? A imagem de sua cabeça em uma lança poderia inspirá-lo a ser mais prestativo. – O rei pousou sua brilhante espada sobre o mapa, ao longo da Muralha, o aço brilhava como a luz do sol na água. – Você só é Senhor Comandante com meu consentimento. É bom que se lembre disso.
(ADWD, Jon I)
O clima de interferência é tão intenso que isso torna verossímil os boatos que tanto Samwell quanto Alliser Thorne inventaram. Porém, também é forte entre os irmãos a noção de que a interferência é ilegal, como afirma Denys Mallister.
Concordo que seria um dia negro na nossa história se um rei nomeasse o nosso Senhor Comandante.
(ASOS, Samwell V)
Então como explicar que uma pessoa reta como Stannis estaria tentando fazer manobras ilegais para obter um homem que lhe fosse favorável no comando da Patrulha? A resposta é bastante óbvia: ele não está.
Stannis sabe que, se quisesse, poderia facilmente dobrar a Patrulha.
Eu tenho três vezes mais homens do que vocês. Posso ocupar as terras, se quiser, mas preferiria fazer isso legalmente, como seu consentimento.
(ASOS, Samwell V)
Todo este som e fúria de ameaças e protestos são o modo que Baratheon encontrou de fazer com que a burocracia dos irmãos negros não atrapalhe a campanha que ele mal iniciou.
A Senhora Melisandre disse-me que ainda não escolheram um Senhor Comandante. Estou descontente. Quando tempo mais esta loucura vai durar? […] Tenho cativos cujo destino deve ser decidido, um reino que precisa ser posto em ordem, uma guerra a travar. Escolhas têm de ser feitas, decisões que envolverão a Muralha e a Patrulha da Noite. Por direito, o seu Senhor Comandante deveria ter algo a dizer nessas decisões. [...] Se por acaso Lorde Janos aqui for o melhor que a Patrulha da Noite tema oferecer, rangerei os dentes e engolirei esse fato. Não me importa nada quem de seus homens será escolhido, desde que façam uma escolha.
(ASOS, Samwell V)
O rei fala isso mais de uma vez.
Poupe-me de sua bajulação, Janos, que não lhe servirá de nada. […] – Não é meu desejo imiscuir-me em seus direitos e tradições.
(ASOS, Samwell V)
Quanto a Stannis ter mostrado inclinação a retirar seu consentimento com a escolha de Jon, literalmente ameaçando matá-lo, deve ser observado que Stannis poderia ter cumprido suas ameaças naquela oportunidade, mas não o fez. Baratheon provavelmente estava querendo descontar a rasteira sofrida Jon ter sido eleito antes mesmo de aceitar ou negar a oferta de se tornar Senhor de Winterfell. Por isso, todas as ameaças que fez foram vazias, assim como são quase todas, segundo Melisandre:
A mulher vermelha desceu a escada ao lado deJon. – Sua Graça está gostando cada vez mais de você.
Percebi. Ele só ameaçou cortar minha cabeça duas vezes.
Melisandre riu.
São seus silêncios que você deve temer, não suas palavras.
(ADWD, Jon I)
Antes de encerrar as análises de A Tormenta de Espadas, eu gostaria de lhes deixar com um pequena questão que eu não soube responder:
Por que Stannis lembra Catelyn a Jon?
Mas não foi o rosto de Lorde Eddard que viu flutuando na sua frente; foi o da Senhora Catelyn. Com os seus profundos olhos azuis e a boca dura e fria, parecia-se um pouco com Stannis. Ferro, pensou, mas quebradiço. Ela o olhava daquela maneira como costumava olhá-lo em Winterfell, sempre que ele se sobrepunha a Robb nas espadas, nas somas, ou em qualquer outra coisa. Quem é você?, sempre lhe parecia que aquele olhar dizia. Este não é o seu lugar. Por que está aqui?
(ASOS, Jon XII)
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.08.25 05:07 Akateron PALHAÇO ROCAMBOLE

Inegavelmente sua fama crescia cada vez mais pelas regiões. Mesmo com vestígios e testemunhos, a polícia jamais apanhara o assassino. Alguns acreditavam que não era um psicopata qualquer, mas um ser vindo do inferno.
Ninguém jamais conseguiu explicar direito sobre o maníaco que devorava parte de suas vítimas, exceto por algumas testemunhas que juravam ter visto de longe, próximo ao local dos assassinatos, um sujeito que parecia vestido de palhaço rindo de forma assustadora, somando o fato de que a própria polícia havia achado grafado com sangue nas paredes o nome “Palhaço Rocambole”.
Cética em relação a essa lenda urbana, Vera Tinacre, uma insuportável senhora de cabelos pintados de vermelho odiada por todos que morava num sobrado meio afastado, achava uma piada, melhor que isso, uma invenção de gente desocupada para pregar sustos nos outros
Ela não tinha filhos ou qualquer outro familiar conhecido, contava apenas uma diarista que trabalhava três vezes por semana. Inclusive, muitos até rogavam praga para aquela senhora, desejando profundamente que ela sumisse da face da Terra , principalmente a sua diarista.
Vera assistia TV na sala quando a luz caiu por causa da forte chuva, com muita raiva, praguejou contra os céus até que escutou risadas que pareciam vir do lado de fora da casa.
Ao olhar para o vitrô embaçado viu alguém observando-a; esfregou os olhos e não viu mais nada além das árvores balançando com violência por causa da chuva até uma gargalhada ecoou pelos corredores.
— QUEM É? APAREÇA, SEU DESGRAÇADO OU VOU CHAMAR A POLÍCIA!
O telefone estava mudo, desesperada, decidiu encarar algumas quadras de chuva para chegar à delegacia. Jurou pra si mesma que se fosse algum vizinho lhe pregando uma peça, o processaria sem dó.
Com as mãos tremendo, Vera destrancou a porta e deu de cara com um sujeito alto e gordo vestido de palhaço usando uma maquiagem pesada e assustadora enquanto exibia um sorriso com os dentes podres à mostra.
— Boa noite, Madame.
— QUEM É VOCÊ?!
Fazendo uma reverência como a de um nobre cavalheiro diante de uma dama, se apresentou.
— Puxa vida, desculpe a minha grosseria. Meu nome é Rocambole, a seu dispor.
Em seguida olhou de um lado para o outro na sala.
— Nossa que lugar escuro, vou iluminar um pouquinho aqui.
Seus lábios cuspiram fogo incendiando os cabelos de Vera que se debatia desesperada para apagar as chamas.
— FILHO DA PUTA!
Atordoada acertou um abajur na cara do palhaço que urrou de raiva. Rocambole pegou a velha pelo pescoço e a arremessou sem esforço contra a sua cristaleira. Ferida, caminhou sangrando até a cozinha onde apanhou uma faca em cima da pia. Rocambole apreciava passando a língua pelos lábios o sofrimento daquela mulher.
— Não se aproxime ou eu te corto…
— Madame, hoje tô com muita fome.
O palhaço encostou calmamente a porta da cozinha e se aproximou de Vera que estava encolhida no chão, a chuva se encarregou de abafar os gritos.
Pela manhã, quando a polícia, acionado pela diarista, chegou ao local, se deparou com um rastro de destruição, na cozinha acharam apenas o que sobrou da vítima e o nome do assassino estava escrito com sangue nas paredes.
AKATERON SIOCLÓTUS
submitted by Akateron to medonho [link] [comments]


2020.08.25 05:01 Akateron PALHAÇO ROCAMBOLE

Inegavelmente sua fama crescia cada vez mais pelas regiões. Mesmo com vestígios e testemunhos, a polícia jamais apanhara o assassino. Alguns acreditavam que não era um psicopata qualquer, mas um ser vindo do inferno.
Ninguém jamais conseguiu explicar direito sobre o maníaco que devorava parte de suas vítimas, exceto por algumas testemunhas que juravam ter visto de longe, próximo ao local dos assassinatos, um sujeito que parecia vestido de palhaço rindo de forma assustadora, somando o fato de que a própria polícia havia achado grafado com sangue nas paredes o nome “Palhaço Rocambole”.
Cética em relação a essa lenda urbana, Vera Tinacre, uma insuportável senhora de cabelos pintados de vermelho odiada por todos que morava num sobrado meio afastado, achava uma piada, melhor que isso, uma invenção de gente desocupada para pregar sustos nos outros
Ela não tinha filhos ou qualquer outro familiar conhecido, contava apenas uma diarista que trabalhava três vezes por semana. Inclusive, muitos até rogavam praga para aquela senhora, desejando profundamente que ela sumisse da face da Terra , principalmente a sua diarista.
Vera assistia TV na sala quando a luz caiu por causa da forte chuva, com muita raiva, praguejou contra os céus até que escutou risadas que pareciam vir do lado de fora da casa.
Ao olhar para o vitrô embaçado viu alguém observando-a; esfregou os olhos e não viu mais nada além das árvores balançando com violência por causa da chuva até uma gargalhada ecoou pelos corredores.
— QUEM É? APAREÇA, SEU DESGRAÇADO OU VOU CHAMAR A POLÍCIA!
O telefone estava mudo, desesperada, decidiu encarar algumas quadras de chuva para chegar à delegacia. Jurou pra si mesma que se fosse algum vizinho lhe pregando uma peça, o processaria sem dó.
Com as mãos tremendo, Vera destrancou a porta e deu de cara com um sujeito alto e gordo vestido de palhaço usando uma maquiagem pesada e assustadora enquanto exibia um sorriso com os dentes podres à mostra.
— Boa noite, Madame.
— QUEM É VOCÊ?!
Fazendo uma reverência como a de um nobre cavalheiro diante de uma dama, se apresentou.
— Puxa vida, desculpe a minha grosseria. Meu nome é Rocambole, a seu dispor.
Em seguida olhou de um lado para o outro na sala.
— Nossa que lugar escuro, vou iluminar um pouquinho aqui.
Seus lábios cuspiram fogo incendiando os cabelos de Vera que se debatia desesperada para apagar as chamas.
— FILHO DA PUTA!
Atordoada acertou um abajur na cara do palhaço que urrou de raiva. Rocambole pegou a velha pelo pescoço e a arremessou sem esforço contra a sua cristaleira. Ferida, caminhou sangrando até a cozinha onde apanhou uma faca em cima da pia. Rocambole apreciava passando a língua pelos lábios o sofrimento daquela mulher.
— Não se aproxime ou eu te corto…
— Madame, hoje tô com muita fome.
O palhaço encostou calmamente a porta da cozinha e se aproximou de Vera que estava encolhida no chão, a chuva se encarregou de abafar os gritos.
Pela manhã, quando a polícia, acionado pela diarista, chegou ao local, se deparou com um rastro de destruição, na cozinha acharam apenas o que sobrou da vítima e o nome do assassino estava escrito com sangue nas paredes.
AKATERON SIOCLÓTUS
submitted by Akateron to u/Akateron [link] [comments]


2020.08.24 03:06 zephrot Diário de uma queda

Meu primeiro conto senão me engano, 8 anos atrás, resolvi revisar e mudar ele, masss antes disso quis postar a versão antiga antes da nova surgir, acho que é o certo a se fazer, espero que você ache minimamente interessante. :)

"Você é puro? Livre de pecados? Pronto para estar perto do nosso e único Deus? Se sim, zephyr É seu lugar"

Essa frase foi lançada desde o dia 1 de zephyr, uma bela mentira lançada para encobrir uma cidade podre por dentro, o que supostamente seria um templo no céu se tornou o túmulo de muitos, fora da casa em que me encontro ouço os sons de tiros e gritos, resultados da revolta contra o profeta, o cheiro de sangue invade pela janela, a cada poucos segundos ouço gotas de sangue e gemidos vindo de Arthas, o desgraçado demora pra morrer.
Não que isso seja ruim, demorei 10 anos para encontrar e matar o filho da puta, e ainda não me sinto satisfeito, não depois do que fizeram com minha família.
Dizem que acordar com uma visão do céu e sinal de boa sorte… creio que se isso fosse verdade eu teria sorte por toda minha vida.
Crescer nas nuvens teve suas alegrias, momentos perfeitos naquela cidade utópica criada pelos ideais de um fanático, uma cidade livre de pecadores, livre de raças inferiores, ali nos estávamos perto de Deus e ele perto de nos. Zephyr era seu nome, a joia do céu, a cidade livre de pecados, sua historia de origem? Bom, a real historia eu fui descobrir depois de muito tempo, mas a versão que nos era contada por nossos pais era a seguinte:
"Décadas atrás, quando o mundo estava perdido em guerra, uma criança nasceu em meio ao caos, uma criança que viria a ser nosso profeta, aquele que fundou nossa joia, nossa Zephyr. Sua infância perdida em meio a violência, se fez homem cedo e buscou em Deus refugio, e nosso amado Deus não deixaria tal criança sofrer em vão, a essa mesma criança foram dadas visões, visões na quais se via Zephyr. já como jovem iniciou a busca pela terra prometida ate se dar conta de que ele seria aquele que iria construi-la. E assim ele achou a entidade, o espírito do oeste, aquele que nos mantém no ar"
Se você achou vago, não se assuste, ele fez de tudo para deixar a narrativa aceitável, talvez tenha falhado em deixar convincente porem mesmo assim todos aqueles em Zephyr eram fiéis ao seu profeta... Pelo menos ele assim pensava. A historia não esta totalmente errada, na época como criança eu mesmo acreditava e orava pelo profeta, mas me perdoem, eu era tolo, e como tolo eu errei.
Com amor: Donnie
O cotidiano da minha infância seguia uma rotina bem simples, durante a semana aulas do começo da manha ate o fim da tarde, sábado passeios ocasionais com colegas de classe, aos domingos sempre tínhamos a santa missa, a qual todos os moradores de Zephyr eram obrigados a ir, isso resume minha vida desde os 8 aos 15 anos, mas uma hora ou outra a realidade bate em nossa porta.
Dia 30 de julho sempre foi uma data especial em minha casa já que marcava tanto o casamento de meus pais quanto o aniversario de minha irmã, Angie, ela era a nossa luz de cada dia, não importava o que acontecesse ela sempre sorria, sempre nos alegrava. Meu nome é Donnie, junto com Angie e meus pais Magnus e Cristine nos éramos a família Carter, uma família até que bem respeitada em nossa cidade, meu pai sendo um conhecido arquiteto e minha mãe uma dona de casa muito conhecida por seus doces, éramos em geral uma família feliz que ate esse ponto não tinha sido tocada por aquilo que Zephyr escondia.
Nossa cidade tinha uma ligação com o mundo terrestre graças aos dirigíveis, e logo abaixo de Zephyr havia uma pequena ilha onde ficava um terminal de abastecimento para nossos meios de locomoção além de uma pequena praia onde famílias podiam ir visitar e passar uma tarde agradável na areia ou no mar, contudo esse era o limite que o Profeta nos deu, qualquer contado maior com o povo da superfície podia nos influenciar no caminho do pecado, entretanto não era incomum nossa pequena ilha no meio do mar ser visitada por pessoas de grandes países, que são em sua maioria cheios de cidades, as que mais ouvíamos falar quando crianças eram Nova Iorque, Londres, Paris, e de um pequeno pais chamado Cuba, também não era incomum pessoas de cor aparecem por lá, mas logo eram detidas, pois de acordo com o Profeta, Deus marcou os pecadores com cores e características diferentes das nossas para que assim não nos envolvêssemos com o tipo errado de amizade.
Agora que expliquei o que e como funcionava a ilha, voltemos ao ponto em que parei, naquele dia para comemorar seu aniversario Angie quis descer ate a praia, ela amava a agua, desde pequena não gostava quando nossa mãe a tirava da banheira, ela era uma criança tão pura, fazendo seus 12 anos naquele mesmo dia. Como era seu aniversario meus pais não tinham como dizer não, escolhemos o primeiro dirigível das 9 da manha e descemos ate a praia, um detalhe muito importante era a maneira como minha relação com Angie funcionava, não era a típica relação de irmãos onde sempre há brigas, nos sempre apoiamos um ao outro, não importasse o que fosse, era tudo tão lindo ao lado de minha irmã, nosso percurso no ar levou cerca de 10 minutos, a excitação dela era palpável no momento em que ela viu o mar, meus pais como sempre abraçados e sorrindo ao ver o sorriso em seu rosto, pode parecer que meus pais não me davam bola, mas aquele dia era deles e dela, e eu me contentava por vê-los felizes, isso era mais que suficiente para mim, ao desembarcar no hangar de pouso a primeira coisa em nosso campo de visão foram as lojas da ilhas, um verdadeiro parque de diversão para Angie, só não era o mesmo para o bolso do meu pai.
Nossa primeira parada foi o carrinho de sorvete, uma tradição de nossa família toda vez que íamos ate lá. Angie avistou um vestido florido cheio de cores numa loja próxima, creio que ao ver isso a carteira de meu pai já começou a se preparar, devo mencionar que nos não éramos pobres, mas também não ricos como os Lannis ou os Bariens, mas vivíamos bem só que meu pai era mão de vaca mesmo. Creio que não seja necessária uma descrição detalhada de nosso dia na praia, comemos um belo café da manha, meus pai ficaram na areia abraçados enquanto eu e minha irmã estávamos no mar, pouco depois almoçamos ali mesmo na areia, a única parte realmente relevante dessa tarde foi que o capitão da guarda de Zephyr estava por perto e veio nos cumprimentar, seu nome? Arthas Lannis, um membro de uma das famílias mais ricas de zephyr, aquele filha da puta, pode ter demorado mas ele teve o que mereceu. Quando começou a escurecer meus pais decidiram que já era hora de irmos, e assim pegamos o próximo dirigível de volta para nossa cidade nos céus.
Lembram do amor de minha irmã por rosas? Eu não podia deixar isso passar em branco, assim que chegamos em nossa casa, pedi ao meus pais se poderíamos dar uma volta enquanto eles descansavam (eu sabia que eles queriam um tempo a sós) então foi fácil convencer eles, assim que eles liberaram saímos de casa, queria leva-la aos jardim da ilha do cardeal, esse era o bairro onde os membros do culto do Profeta moravam, então tínhamos que entrar as escondidas, mas valia a pena, eu sabia qual seria a reação dela ao ver o mar de rosas vermelhas daquele jardim, atravessamos a ilha onde nosso bairro se encontrava e fomos pela ilha comercial chamada de Lazaro, caso esteja confuso entender nossa cidade era dividida em ilhas flutuantes interligadas por bondinhos ou pontes, existiam dezenas de ilhas com vários tamanhos e utilidades diferentes, mas a mais imponente de todas era a ilha do Iluminado, chamada assim já que seu único habitante era ninguém mais ninguém menos do que o Profeta, entretanto não era permitido perambular perto daquela ilha, e isso nem mesmo eu ousava desobedecer, ao chegar na ponto que ligava Lazaro com Cardeal, tomamos cuidado para que ninguém nos visse e assim adentramos a ilha, ao passar pelo portao rodeado de madressilvas, logo ali na nossa frente, estava o que prometi a Angie, o mar de rosas mais lindo que jamais fora visto, lhe avisei que podia pegar apenas uma rosa para levar de lembrança, ela escolheu uma linda rosa vermelha bem gorda e sem nenhuma mancha. Ali estava ela, em pleno êxtase de animação ao segurar rosa em suas mãos, contudo, a realidade sempre bate em nossa porta não e mesmo? E foi assim que ela bateu na nossa. Um grito não muito longe de onde estávamos no alertou de que algo estava errado, puxei minha irmã pela manga e fui o mais rápido e silencioso possível em direção, esse foi meu primeiro erro, e paguei caro por ele, sem perceber acabei nos levando em direção do grito, ao chegar na intersecção das ilhas, bem em frente da ponte havias uma figura escura mesmo sendo iluminada por um poste, atrás dele um pouco retorcida havia uma criança chorando baixo, três homens carregando armas surgiram na frente do homem escuro, que mais tarde soube que na verdade ele era um afro descendente, o mais chamativo dos três homens que surgiram ira o conhecido Arthas Lannis.
Arrastei Angie comigo para trás de um banco perto da ponte, pensei que fosse ser possível esperar ali ate o que quer que fosse acontecer ali acabasse, esse foi meu segundo erro, mesmo de não muito perto pude ouvir a conversa entre eles:
– Por favor, minha filha e inocente, deixa-a ir – o tom de suplica em sua voz pegou de surpresa.
– A deixar ir? Ela carrega sua cor, a cor de um pecador, pelo bem de Zephyr não posso permitir esse tipo de gente em nossa cidade – quem falou isso? O capitão Arthas em pessoa, cuja frieza soava cortante.
– Meu Deus, protegei seu servo.. – antes dele prosseguir Arthas o acertou com uma coronhada.
– Quem você pensa que e para pronunciar o nome de Deus em vão? Raça imunda – uma segunda coronhada, dessa vez a menina começou a chorar de verdade. – Vão para o inferno, lugar onde o resto da sua raça te encontrara em breve. Guardas..
– Porque? – tanto eu e os guardas não sabiam em que reparar, na pergunta, ou na pessoa que a fez – Porque fazer isso com eles? Ele só esta protegendo ela – lá estava Angie, segurando sua rosa com ambas as mãos na espera de uma resposta;
Arthas foi quem se recuperou antes e disse:
– Vá para casa pequena, você não tem nada a ver isso – não havia cortesia em sua voz, aquilo tinha sido uma ameaça velada, infelizmente Angie não recuou, pelo contrario, enfrentou novamente o capitão se pondo na frente do homem escuro. – bom você não me deixa escolha criança – não havia hesitação em sua voz, ele nem sequer sentiu qualquer remorso – Guardas – lá estava eu paralisado, tanto por medo quanto pela própria cena em si – Apontar – minha voz não saia, nada que eu falasse ou tentasse pelo menos fazia, eu fiquei lá, parado, sem a mínima reação, esse foi meu terceiro erro, nesse meio termo, minha irmã com suas mãozinhas delicadas encaixou sua linda rosa no cano da arma do capitão, e mesmo assim, mesmo diante dessa cena não houve um brilho sequer de piedade em seus olhos, naquela horas eles estavam mais escuros do que nunca – Fogo.
Eu gritei, ao som do comando de Arthas eu gritei, mas voz nenhuma saiu, tudo o que consegui ver, foram pétalas queimadas daquela linda rosa boiando em um pequeno mar de sangue.
submitted by zephrot to u/zephrot [link] [comments]


2020.08.15 00:06 RunaZukiJi E olha eu aqui de novo. Na merda, na merda, na merda.

Recentemente eu postei um desabafo falando do que eu tava passando em relação eu meu vínculo com meu pai.
Hoje vim desabafar de novo.
Primeiramente: tive uma crise de ansiedade agora pouco, chorei igual uma idiota, tive aqueles pensamentos ruins de su1c1d1o.... Segundamente: eu já não aguento mais.
Minha mãe fala mal dos meus gostos pessoais! Eu tô sofrendo uma p#ta pressão psicológica por causa disso.
Ela diz que eu tenho que mudar, mas eu sei que se eu mudar tudo vai ficar PIOR! Eu vou deixar de ser eu mesma de verdade!
Eu só queria dormir e acordar em outro lugar. Com minha casa, meus doguinho, meu emprego, minha família. Mas nem 15 anos eu tenho direito. Eu já não sei mais o que esperar do próximo dia, semana, mês, ano.
Sabe o fundo do poço? Pois é. Eu tô morando lá.
Todo dia que passa; toda briga que eu tenho com minha família, seja lá quem for, eu sempre sou a errada. Ninguém quer me ouvir, ninguém quer ver o meu lado da história. Pra mim já chega...... Eu não pedi pra nascer. Eu amo a minha mãe. Eu daria o mundo pra ela. Eu já tentei mudar quem eu sou por ela, mas isso me destruiu. Eu tentei usar vestidos, eu tentei mudar meus gostos, eu engordei pra ela parar de me chamar de "esqueleto". Mas eu nunca escutei um "Obrigada" vindo dela.
Eu gosto muito de escrever... Livros, fanfics.... Eu tava escrevendo um mine livrinho com historinhas fictícias, tava tão legal, eu vi que tava. Eu parei de escrever com medo que ela não goste.
Por enquanto é isso, bens....
Plus Ultra e obrigada pelo apoio que eu ganhei no último desabafo.
submitted by RunaZukiJi to desabafos [link] [comments]


2020.07.25 05:31 altovaliriano [Tradução] Os Outros confundiram Waymar Royce com um Stark

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/9qvrsy/spoilers_extended_the_killing_of_a_range
Autor: u/JoeMagician
Título original: The Killing of a Ranger
[…] Esta é a versão reescrita da minha teoria de 2015, A Cold Death in the Snow: The Killing of a Ranger, com algumas seções novas e conclusões mais bem explicadas, além de um bom e velho tinfoil. E significativamente menos citações, adequações nos spoilers e menos texto em negrito. Eu queria fazer um vídeo da teoria e não estava satisfeito com a versão original, então aqui está uma versão nova e aprimorada como um bônus.
O vídeo completo está aqui, se você preferir assistir, e a versão em podcast aqui, se você preferir ouvir, bem como pode ser encontrada no Google Play e no iTunes.
Aproveite!

Os Três Patrulheiros

Um dos eventos menos compreendidos em ASOIAF acontece exatamente no capítulo de abertura da saga. Waymar Royce, um fidalgo do Vale, e os dois patrulhieros Will e Gared estão perseguindo selvagens saqueadores na Floresta Assombrada. Antes que possamos nos localizar, Waymar é emboscado pelos demônios de gelo conhecidos como Os Outros. Waymar pronuncia sua famosa e incrivelmente foda frase "Dance comigo, então" e começa o duelo. Waymar segura as pontas até que o Outro acerta um golpe, depois zomba do patrulheiro e, finalmente, a espada de Wamyar se quebra contra a lâmina de gelo. Um fragmento perfura o olho de Waymar e o grupo de Outros que se aproxima, cerca-o e mata-o com golpes coordenados. Para piorar, Waymar é reanimado como uma criatura e massacra seu ex-companheiro Will. O outro irmão deles, Gared, escapa do ataque e foge para o Sul até ser capturado em uma fortaleza perto de Winterfell e executado por Ned Stark em razão de ter desertado da Patrulha.
É um prólogo que deixa o leitor com muitas perguntas não respondidas sobre o que acabou de ler. Por que esses patrulheiros foram atacados e por tantos outros? Onde estavam seus servos mortos-vivos que eles normalmente usam para matar? E por que eles estavam duelando com Waymar Royce em particular, um guarda de nenhuma nota em particular em sua primeira missão? Primeiro, vejamos o histórico de Waymar.
Sor Waymar Royce era o filho mais novo de uma Casa antiga com herdeiros demais. Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca. Montado em seu enorme corcel de batalha negro, o cavaleiro elevava-se bem acima de Will e Gared, montadosem seus garranos de menores dimensões. Trajava botas negras de couro, calças negras de lã, luvas negras de pele de toupeira e uma cintilante cota de malha negra e flexível por cima de várias camadas de lã negra e couro fervido. Sor Waymar era um Irmão Juramentado da Patrulha da Noite havia menos de meio ano, mas ninguém poderia dizer que não se preparara para a sua vocação. Pelo menos no que dizia respeito ao guarda-roupa.
(AGOT, Prólogo)
Segundo as informações que recebemos, Waymar foi o terceiro filho do formidável "Bronze" Yohn Royce, lorde de Pedrarruna e da casa Royce. Ninguém sabe ao certo por que Waymar escolheu se juntar à Patrulha. Sendo filho de um Senhor, ele poderia se casar em uma Casa menor e obter suas próprias propriedades, tornar-se um cavaleiro de torneios, visitar Essos e lutar como um mercenário se quisesse. Poderia fazer quase tudo. Em vez disso, escolheu se juntar à Patrulha da Noite. E Waymar é muito bonito, Sansa Stark se apaixonou por ele à primeira vista:
Foi hóspede em Winterfell quando o filho foi para o Norte vestir o negro – tinha uma tênue lembrança de ter se apaixonado perdidamente por Sor Waymar.
(AFFC, Alayne I)
Gared e Will são um pouco menos ilustres. Will é um caçador furtivo apanhado por Lord Mallister e escolheu a Muralha em vez de perder a mão. Gared ingressou na Patrulha quando menino e é patrulheiro há quarenta anos. Senhor comandante Mormont fala muito bem deles.
Mormont pareceu quase não ouvi-lo. O velho aquecia as mãos no fogo.
Enviei Benjen Stark em busca do filho de Yohn Royce, perdido em sua primeira patrulha. O rapaz Royce estava verde como a grama de verão, mas insistiu na honra de seu próprio comando, dizendo que lhe era devido enquanto cavaleiro. Não desejei ofender o senhor seu pai e cedi. Enviei-o com dois homens que considerava dos melhores que temos na Patrulha. Mas fui tolo.
(AGOT Tyrion III)

A Missão

Agora que estamos mais familiarizados com esses patrulheiros, vamos abordar a explicação mais simples: que foi um encontro acidental entre os Outros e os patrulheiros. Talvez os Outros estivessem viajando pela floresta para se encontrar com Craster e acidentalmente encontraram três patrulheiros. Faz sentido. Os Outros e os patrulheiros são inimigos históricos. No entanto, existem grandes problemas nisso. O primeiro é quando Royce e companhia alcançam suas presas, os saqueadores já foram transformados em criaturas.
Prestou atenção à posição dos corpos?
Will encolheu os ombros.
Um par deles está sentado junto ao rochedo. A maioria está no chão. Parecem caídos.
Ou adormecidos – sugeriu Royce.
Caídos – insistiu Will. – Há uma mulher numa árvore de pau-ferro, meio escondida entre os galhos. Uma olhos-longos – ele abriu um tênue sorriso. – Assegurei-me de que não conseguiria me ver. Quando me aproximei, notei que ela também não se movia – e sacudiu-se por um estremecimento involuntário.
Está com frio? – perguntou Royce.
Um pouco – murmurou Will. – É o vento, senhor.
O jovem cavaleiro virou-se para seu grisalho homem de armas. Folhas pesadas de geada suspiravam ao passar por eles, e o corcel de batalha movia-se de forma inquieta.
Que lhe parece que possa ter matado aqueles homens, Gared? – perguntou Sor Waymar com ar casual, arrumando o longo manto de zibelina.
Foi o frio – disse Gared com uma certeza férrea. – Vi homens congelar no inverno passado e no outro antes desse, quando eu era pequeno.
Waymar, porém, percebe algo errado na avaliação de Gared. Está quente demais para a estação, tanto que o Muralha está derretendo ou "chorando".
Se Gared diz que foi o frio… – começou Will.
Você fez alguma vigia nesta última semana, Will?
Sim, senhor – nunca havia uma semana em que ele não fizesse uma maldita dúzia de vigias.
Aonde o homem queria chegar?
E em que estado encontrou a Muralha?
Úmida – Will respondeu, franzindo a sobrancelha. Agora que o nobre o fizera notar, via os fatos com clareza. – Eles não podem ter congelado. Se a Muralha está úmida, não podem. O frio não é suficiente.
Royce assentiu.
Rapaz esperto. Tivemos alguns frios passageiros na semana passada, e uma rápida nevasca de vez em quando, mas com certeza não houve nenhum frio suficientemente forte para matar oito homens adultos.
Os saqueadores morrem congelados com o tempo quente demais. Como leitores, sabemos que os Outros têm controle sobrenatural sobre o frio, indicando que eles são os assassinos. E então, quando Waymar e Will voltam, descobrem que os corpos desapareceram.
O coração parou em seu peito. Por um momento, não se atreveu a respirar. O luar brilhava acima da clareira, sobre as cinzas no buraco da fogueira, sobre o abrigo coberto de neve, sobre o grande rochedo e sobre o pequeno riacho meio congelado. Tudo estava como estivera algumas horas antes.
Eles não estavam lá. Todos os corpos tinham desaparecido.

A Armadilha

O curioso Waymar morde a isca e a armadilha foi ativada. Will, de seu ponto estratégico em cima de uma árvore, vê seus predadores desconhecidos emergirem da floresta. (AGOT, Prólogo)
Uma sombra emergiu da escuridão da floresta. Parou na frente de Royce. Era alta, descarnada e dura como ossos velhos, com uma carne pálida como leite. Sua armadura parecia mudar de cor quando se movia; aqui era tão branca como neve recém-caída, ali, negra como uma sombra, por todo o lado salpicada com o escuro cinza-esverdeado das árvores. Os padrões corriam como o luar na água a cada passo que dava.
Will ouviu a exalação sair de Sor Waymar Royce num longo silvo. [...]
Emergiram em silêncio, das sombras, gêmeos do primeiro. Três… quatro… cinco… Sor Waymar talvez tivesse sentido o frio que vinha com eles, mas não chegou a vê-los, não chegou a ouvi-los. Will tinha de chamá-lo. Era seu dever. E sua morte, se o fizesse. Estremeceu, abraçou a árvore e manteve o silêncio.
Os Outros armaram uma armadilha para esses patrulheiros e a puseram em ação, não foi um encontro casual. Eles estão apenas tentando matar todos os membros da Patrulha da Noite que puderem? Eu não acredito nisso. Will e Waymar são mortos na Floresta Assombrada, mas o terceiro corvo, Gared, consegue escapar dos Outros. Ele corre para o sul até ser pego pelos Starks e decapitado por Lorde Eddard por deserção.
Há seis Outros não feridos, camuflados e ansiosos para matar ali mesmo com ao menos dez criaturas (incluindo Waymar e Will) e eles deixam de perseguir Gared. Matá-lo seria fácil e rápido, e ainda assim eles não o fazem. Isso não aconteceria se eles estivesse apenas tentando empilhar corpos de patrulheiros.

Claro que Craster está envolvido

A única conclusão que resta é que todo o cenário não era uma armadilha para três homens da Patrulha da Noite, e sim uma armadilha para um patrulheiro em particular: Waymar Royce. Ele é escolhido pelos Outros para um duelo individual por sua vida. Mas por quê? Waymar não é nada de especial na Patrulha. Enquanto isso, Gared e Will são veteranos nas terras além da Muralha. Eles seriam os maiores prêmios, taticamente falando. Como os Outros sequer poderiam saber como procurar por Waymar?
Me perdoará por isso, se tiver lido minhas outras teorias, mas mais uma vez, a resposta é Craster. Waymar, Will e Gared passaram pelo menos uma noite na fortaleza de Craster enquanto rastreavam os selvagens saqueadores.
Lorde Mormont disse:
Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo.
(ACOK Jon III)
Observa-se aqui que Craster só fala sobre Gared e Waymar, não sobre Will. E Will é um patrulheiro veterano, alguém que Craster provavelmente já conheceria, mas é deixado de fora. Craster lembra Waymar com riqueza de detalhes, concentrando-se em suas roupas finas e boa aparência. Craster se concentrou muito em Waymar, mas quando perguntado sobre para onde os patrulheiros estavam indo quando partiram, Craster responde (ACOK Jon III):
Quando Sor Waymar partiu, para onde se dirigiu?
Craster encolheu os ombros:
Acontece que tenho mais que fazer do que tratar das idas e vindas dos corvos.
Craster não tem coisas melhores para fazer, seus dias giram em torno de ficar bêbado e ser um humano terrível para com suas "esposas". E ele se contradiz, alegando não ter interesse nos patrulheiros ao mesmo tempo que discorre em detalhes sobre Royce. Dado o relacionamento muito próximo de Craster com os Outros (organizando um acordo em que ele dá seus filhos em troca de proteção), esse encontro casual foi o que deu início à cadeia de eventos que levaram à morte de Waymar. Craster viu algo importante em Waymar Royce, algo em que os Outros prestaram muita atenção e agiram de maneira dramática.

A aparência de um Stark

Vamos analisar rapidamente o que Craster poderia ter aprendido. Com suas próprias palavras, ele percebe que Waymar é de alto nascimento. Não é uma informação particularmente valiosa, existem muitos patrulheiros e membros da Patrulha bem nascidos e os Outros não criaram armadilhas individuais para eles até onde sabemos.
Ele poderia ter ficado sabendo que Waymar era da Casa Royce e do Vale. Não há outros homens dos Royces na Patrulha, mas há outro patrulheiro chamado Tim Stone, do Vale. Tim sobrevive à Grande Patrulha e ainda está vivo no final do Festim dos Corvos, então essa parece uma explicação improvável. Talvez ser Royce tenha feito os Outros ficarem atentos. Os Royces tem sangue de Primeiros Homens, uma casa antiga que remonta às brumas da história. Talvez algum tipo de rancor?
Existe algo em seu comportamento? Waymar é altivo e autoconfiante, repele as pessoas com uma atitude de superioridade. Isso aborreceu Craster, mas duvido que os Outros chegariam em força para acalmar um leve aborrecimento do gerente de fábrica de bebês. O quanto eles demonstram interesse em Waymar implica que o que Craster disse a eles foi uma informação suculenta e importante que o atraiu de forma intensa. O que nos resta é a aparência de Waymar (AGOT, Prólogo):
Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca.
Olhos cinzentos, esbeltos, graciosos. Esta é uma descrição que é usada apenas um capítulo depois com um personagem muito famoso (AGOT, Bran I):
Podia-se ver em seus olhos, Stark – os de Jon eram de um cinza tão escuro que pareciam quase negros, mas pouco havia que não vissem. Tinha a mesma idade que Robb, mas os dois não eram parecidos. Jon era esguio e escuro, enquanto Robb era musculoso e claro; este era gracioso e ligeiro; seu meio-irmão, forte e rápido.
Waymar se parece com Jon Snow. Os outros membros conhecidos da Casa Royce que não ficaram grisalhos (Myranda Royce e seus "espessos cachos cor de avelã" e Albar Royce e seus "ferozes suíças negras") têm cabelo preto ou marrom. É lógico que Waymar tambémteria dada a predominância de cabelos escuros nas famílias. A arte oficial dos fundos dos calendários confirma isso, com GRRM aprovando os cabelos pretos de Waymar. Mas Craster não conhece Jon Snow no momento, então por que a comparação importa? A resposta vem da primeira interação de Craster com Jon Snow (ACOK, Jon III):
Quem é este aí? – Craster perguntou, antes que Jon pudesse se afastar. – Tem o ar dos Stark.
É o meu intendente e escudeiro, Jon Snow.
Quer dizer então que é um bastardo? – Craster olhou Jon de cima a baixo. – Se um homem quer se deitar com uma mulher, parece que a devia tomar como esposa. É o que eu faço – enxotou Jon com um gesto. – Bom, corre a cuidar do seu serviço, bastardo, e vê se esse machado está bom e afiado, que não tenho serventia para aço cego.
Craster de relance reconhece Jon corretamente como tendo a aparência de um Stark. Ele não fala isso de novo com mais ninguém que conhece nos capítulos que aparece, ninguém menciona isso depois, é a única vez que Craster diz que alguém se parece com uma família em particular. Ele sabe que aparência os Starks devem ter, e isso é confirmado por outros personagens. Uma de suas características definidoras, mencionadas muitas vezes, são os olhos cinzentos.
Catelyn lembrando Brandon Stark (AGOT, Catelyn VII):
E seu prometido a olhou com os frios olhos cinzentos de um Stark e lhe prometeu poupar a vida do rapaz que a amava.
Jaime Lannister lembrando Ned Stark na época da rebelião (ASOS, Jaime VI):
Lembrou-se de Eddard Stark, percorrendo a cavalo todo o comprimento da sala do trono de Aerys, envolto em silêncio. Só seus olhos tinham falado; olhos de senhor, frios, cinzentos e cheios de julgamento.
Theon lembrando qual deveria ser a aparência de Arya. (ADWD, Fedor II)
Arya tinha os olhos do pai, os olhos cinzentos dos Stark. Uma garota da idade dela podia deixar o cabelo crescer, adicionar uns centímetros à altura, ver os seios aumentarem, mas não podia mudar a cor dos olhos.
Tyrion Lannister reconhece Jon como tendo a aparência Stark também (AGOT, Tyrion II):
O rapaz absorveu tudo aquilo em silêncio. Possuía o rosto dos Stark, mesmo que não tivesse o nome: comprido, solene, reservado, um rosto que nada revelava.
Pelo reconhecimento correto de Craster e dos monólogos internos de Tyrion e Catelyn, parecer um verdadeiro "Stark" significa que você deve ter olhos cinzentos, cabelos castanhos escuros ou pretos e um rosto longo e solene. Waymar Royce tem três destas quatro características. No entanto ele poderia ter todas, se você considerar o rosto de seu pai um indicativo do aspecto do rosto de Waymar (AFFC, Alayne I):
Os últimos a chegar foram os Royce, Lorde Nestor e Bronze Yohn. O Senhor de Pedrarruna era tão alto quanto Cão de Caça. Embora tivesse cabelos grisalhos e rugas no rosto, Lorde Yohn ainda parecia poder quebrar a maior parte dos homens mais novos como se fossem gravetos nas suas enormes mãos nodosas. Seu rosto vincado e solene trouxe de volta todas as memórias de Sansa do tempo que passara em Winterfell.
O mesmo rosto solene que você procuraria em um Stark. Seu rosto até a lembra de Winterfell e, presumivelmente, de seu pai. Acredito que foi isso que Craster viu em Waymar e que ele alertou os Outros a respeito. Ele tinha visto alguém que se parece muito com um Stark, de alto nascimento e jovem. Isso se encaixa em um perfil importante para os Outros, pois eles entram em ação, preparando sua armadilha para Waymar. Infelizmente, Waymar não é um Stark de verdade, mas ele parece próximo o suficiente para enganar Craster e os Outros.

O Royce na Pele de Lobo

No entanto, Craster não está totalmente errado sobre Waymar ser parecido com um Stark. Os Starks e Royces se casaram recentemente. Beron Stark, tetravô de Jon, casou-se com Lorra Royce. E sua neta, Jocelyn Stark, filha de William Stark e Melantha Blackwood, casou-se com Benedict Royce, dos Royces dos Portões da Lua. Via Catelyn descobrimos onde no Vale seus filhos se casaram:
O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray comc erteza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
(ASOS Catelyn V)
Este é o ramo errado da casa Royce, no entanto, suas filhas todas se casaram com outras famílias nobres, tornando possível que o sangue Stark chegasse, através de casamentos políticos, ao ramo principal da família e Waymar. Sabemos muito pouco sobre a árvore genealógica Royce para além dos membros atuais, nem sabemos o nome ou a casa da esposa de Yohn Royce.
No meu vídeo The Wild Wolves: The Children of Brandon Stark , proponho que Waymar seja realmente um bastardo secreto dos Stark na casa Royce. Há uma quantidade razoável de conexões entre o Lobo Selvagem e Waymar, particularmente sua coragem e sua busca por aventura. Se essa teoria fosse verdadeira, fortaleceria o raciocínio por trás do ataque dos Outros a Waymar, pois ele pode ser um Stark em tudo menos no nome. Você pode imaginar que, enquanto Waymar, Will e Gared estavam andando pela Floresta Assombrada, os Outros seguiam silenciosamente, inspecionando Waymar de longe e ficando excitados por terem encontrado quem procuravam. Talvez eles pudessem sentir o cheiro do sangue do lobo nele.
É minha conclusão que Waymar Royce foi morto pelos Outros por engano, devido às informações incorretas de seu batedor de reconhecimento Stark (Craster). Waymar foi morto por não ser o cara certo. Mas a partir da armadilha e da situação que os Outros criaram, podemos descobrir quem eles esperavam encontrar.

O teste e o ritual

Primeiro, eles montam uma armadilha elaborada usando criaturas para enganar os patrulheiros. A partir disso, podemos concluir que eles esperavam que seu alvo fosse muito cauteloso e inteligente. Caso contrário, eles poderiam simplesmente encontrá-los à noite e se esgueirar para matar. Eles acreditavam que precisavam prender os Stark que estavam caçando.
Segundo, o número de Outros que aparecem. Seis outros aparecem, uma grande quantidade deles para uma disputa que ser espadachins aparentemente experientes. Mais tarde na história, os Outros apenas enviam um para matar pelo menos três membros da Patrulha da Noite, mas Sam o mata com uma adaga de obsidiana. Para Waymar, eles enviam seis. Se você quer alguém para assistir ao duelo, você envia um ou dois extras. Outros cinco implicam que a pessoa que você duelará terá muito sucesso. Você está prevendo que essa pessoa provavelmente matará vários Outros antes que a luta termine. Eles o temem e o respeitam. No entanto, eles descobrem que essas suposições não são verdadeiras. Primeiro, eles verificam a espada de Waymar quando ele a levanta, quase que temendo-a.
Sor Waymar enfrentou o inimigo com bravura.
Neste caso, dance comigo.
Ergueu a espada bem alto, acima da cabeça, desafiador. As mãos tremiam com o peso da arma, ou talvez devido ao frio. Mas naquele momento, pensou Will, Sor Waymar já não era um rapaz, e sim um homem da Patrulha da Noite. O Outro parou. Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo. Will fixou-se na espada que estremecia, erguida, e observou o luar que corria, frio, ao longo do metal. Durante um segundo, atreveu-se a ter esperança.
Quando estão certos de que a espada não está prestes a explodir em chamas como Luminífera, eles seguem em frente e testam suas habilidades com a lâmina.
Então, o golpe de Royce chegou um pouco tarde demais. A espada cristalina trespassou a cota de malha por baixo de seu braço. O jovem senhor gritou de dor. Sangue surgiu por entre os aros, jorrando no ar frio, e as gotas pareciam vermelhas como fogo onde tocavam a neve. Os dedos de Sor Waymar tocaram o flanco. Sua luva de pele de toupeira veio empapada de vermelho.
O Outro disse qualquer coisa numa língua que Will não conhecia; sua voz era como o quebrar do gelo num lago de inverno, e as palavras, escarnecedoras.
(AGOT, Prólogo):
O Outro acerta um golpe, e você quase pode dizer o que ele está dizendo. "Esse cara não deveria ser um lutador incrível?" Então eles executam outro teste
Quando as lâminas se tocaram, o aço despedaçou-se.
Um grito ecoou pela noite da floresta, e a espada quebrou-se numa centena de pedaços, espalhando os estilhaços como uma chuva de agulhas. Royce caiu de joelhos, guinchando, e cobriu os olhos. Sangue jorrou-lhe por entre os dedos.
Os observadores aproximaram-se uns dos outros, como que em resposta a um sinal. Espadas ergueram-se e caíram, tudo num silêncio mortal.
Era um assassinato frio. As lâminas pálidas atravessaram a cota de malha como se fosse seda. Will fechou os olhos. Muito abaixo, ouviu as vozes e os risos, aguçados como pingentes.
(AGOT, Prólogo)
O sinal da morte de Waymar é que sua espada se quebra no frio. Eles esperam que Waymar tenha uma espada que resista a seus ataques frios, pelo menos de aço valiriano. Quando sua espada não o resiste, eles estão convencidos de que Waymar não é quem eles querem e o matam.
Vale a pena prestar muita atenção em quão estranhos esses comportamentos são baseados em como os Outros atacam, como evidenciado mais adiante na história. Em seu ataque ao Punho dos Primeiros Homens, não há Outros à vista, eles usam exclusivamente criaturas. Da mesma forma, eles usam criaturas para expulsar Sam e Gilly do motim na fortaleza de Craster. Quando Sam mata um com sua adaga de obsidiana, apenas um Outro considera uma luta fácil encarar três homens da Patrulha da Noite. Na tentativa de matar Jeor Mormont e Jeremy Rykker, esta missão é dada a duas criaturas sozinhas.
Eles operam como fantasmas, matando nas sombras em sua camuflagem gelada e deixando seus fantoches fazerem seu trabalho sujo. Mas aqui eles abandonam totalmente seu comportamento furtivo. Isso implica que isso foi incrivelmente importante para eles, e a organização parece um ritual ou cerimônia de algum tipo.
Há mais uma coisa em que os Outros têm seus olhos treinados. Depois que Waymar recebe seu ferimento, seu sangue começa a escorrer para a luva e depois sangra abertamente do lado dele. O que está acontecendo até agora pode ser apenas um caso de identificação incorreta de Stark por Craster. Esse detalhe, no entanto, nos dá uma imagem muito diferente. Isso nos diz que eles estão procurando Jon Snow sem saber o nome dele. Deixe-me explicar.
No final de A Dança dos Dragões, Jon é morto por seus irmãos da Patrulha da Noite e sente o frio da morte sobre ele. No programa de TV, Jon é ressuscitado por Melisandre praticamente a mesma pessoa que ele era, com algumas cicatrizes retorcidas. O mesmo vale para Beric Dondarrion, cujos próprios retornos da morte servem como preparação para Jon. Em uma entrevista à Time Magazine, George conta uma história muito diferente sobre como o corpo de Beric funciona.
[…] o pobre Beric Dondarrion, que serviu de prenúncio [foreshadowing] de tudo isso, toda vez que ele é um pouco menos Beric. Suas memórias estão desaparecendo, ele tem todas aquelas cicatrizes, está se tornando cada vez mais hediondo, porque ele não é mais um ser humano vivo. Seu coração não está batendo, seu sangue não está fluindo em suas veias, ele é uma criatura [wight], mas uma criatura animado pelo fogo, e não pelo gelo, e agora estamos voltando a toda essa coisa de fogo e gelo.
Isso é parecido com o que o personagem conhecido como Mãos-Frias diz a Bran, que tem isso a dizer sobre sua própria versão dos mortos-vivos e como seu corpo se saiu.
O cavaleiro olhou as mãos, como se nunca as tivesse notado antes.
Assim que o coração para de bater, o sangue do homem corre para as extremidades, onde engrossa e congela. – Sua voz falhava na garganta, tão fina e fraca como ele. – As mãos e os pés incham e ficam negros como chouriço. O resto dele torna-se branco como leite.
(ADWD, Bran I)
O que estão nos mostrando é que, após a ressurreição, os corpos dessas pessoas estão sendo mantidos em um estado de animação suspensa. Eles não bombeiam mais sangue, raramente precisam de comida ou sono, podem até não envelhecer. Quando o sangue bombeia quente do flanco de Waymar, os Outros podem ver que ele não está morto-vivo, como Jon provavelmente estará nos próximos livros.
Some todos esses indícios. Eles estavam procurando por uma espada que fosse resistente à sua magia, certamente aço valiriano como a espada Garralonga que Jon Snow empunha. Eles querem um jovem de cabelos escuros, longos traços faciais e olhos cinzentos de um Stark. Novamente um sinal fúnebre para Jon Snow. Eles querem alguém cujo sangue não flua mais quente. Isso nos dá um indício de que, no futuro, Jon estará sendo procurado por ele; passada sua morte e ressurreição na Muralha.

Um destino escrito em gelo e fogo

Como poderia ser assim? Como os Outros poderiam saber quem é Jon, como ele é e por que ele é importante para eles? A chave para o mistério é o fato de que os Outros foram feitos pelos Filhos da Floresta, e toda a linguagem simbólica e descritiva ao seu redor indica que eles vêm e extraem poderes dos Bosques. E sabemos o que isso significa: visão verde e sonhos verdes. Ou visão de gelo. Semelhante ao que vemos em personagens como Bran, Jojen, Melisandre, Cara-Malhada e muito mais. Acesso a um mundo de sonhos sem tempo com características altamente simbólicas. Como exemplo, é assim que Jojen interpreta Bran em seus sonhos.
Os olhos de Jojen eram da cor do musgo, e às vezes, quando se fixavam, pareciam estar vendo alguma outra coisa. Como acontecia agora.
Sonhei com um lobo alado preso à terra por correntes de pedra cinza – ele disse. – Era um sonho verde, por isso soube que era verdade. Um corvo estava tentando quebrar suas correntes com bicadas, mas a pedra era dura demais, e seu bico só conseguia arrancar lascas.
(ACOK, Bran IV)
A natureza incerta do mundo dos sonhos verdes torna perfeitamente compreensível como os Outros poderiam confundir Waymar com Jon. Eles podem tê-lo visto apenas em flashes, seu rosto obscurecido, seu nome desconhecido, seu período exato incerto. Lembre-se de quantos problemas os Targaryens, valirians, Melisandre e muitos outros tentaram adivinhar quando o Príncipe prometido chegaria, interpretando a estrela que sangrava e o nascimento em meio a sal e fumaça "criativamente" ao longo de sua história. Os Outros podem estar fazendo a mesma coisa com quem vêem no futuro, e há um sonho em particular que pode aterrorizá-los. O sonho de Jon.
Flechas incendiárias assobiaram para cima, arrastando línguas de fogo. Irmãos espantalhos caíram, seus mantos negros em chamas. Snow, uma águia gritou, enquanto inimigos escalavam o gelo como aranhas. Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
Jon vestido com uma armadura de gelo empunhando uma espada flamejante, lutando sozinho contra as hordas de mortos-vivos, matando repetidas vezes sua própria família, entes queridos e irmãos. Essa pessoa seria sem dúvida um problema para os Outros. Ou eles podem ter visto a visão igualmente aterrorizante de Melisandre sobre Jon.
As chamas crepitavam suavemente, e em seu crepitar ela ouviu uma voz sussurrando o nome de Jon Snow. Seu rosto comprido flutuou diante dela, delineado em chamas vermelhas e laranja, aparecendo e desaparecendo novamente, meio escondido atrás de uma cortina esvoaçante. Primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente. Mas as caveiras estavam ali também, as caveiras estavam todas ao redor dele.
(ADWD, Melisandre I)
Jon e Waymar também incorporam traços clássicos do Último Herói, a pessoa que de alguma forma terminou a Longa Noite. Waymar até parece animado quando percebe que os invasores podem ter sido mortos pelos Outros. Conforme a Velha Ama,
[…] o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido. Partiu para as terras mortas com uma espada, um cavalo, um cão e uma dúzia de companheiros. Procurou durante anos, até perder a esperança de chegar algum dia a encontrar os filhos da floresta em suas cidades secretas. Um por um os amigos morreram, e também o cavalo, e por fim até o cão, e sua espada congelou tanto que a lâmina se quebrou quando tentou usá-la. E os Outros cheiraram nele o sangue quente e seguiram-lhe o rastro em silêncio, perseguindo-o com matilhas de aranhas brancas, grandes como cães de caça…
(AGOT, Bran IV)
A missão Outros pode ser tão simples quanto garantir que o Último Herói nunca chegue aos Filhos da Floresta novamente, que não haverá salvação para os homens desta vez. Eles também cercaram a caverna de Corvo de Sangue, talvez como mais uma defesa contra o Herói que se aproximava deles. Enquanto os humanos consideram o Último Herói como uma lenda de grandes realizações, para os Outros ele seria o Grande Outro, a versão deles do Rei da Noite. Um demônio que acabou com suas ambições, um monstro com uma espada que os destrói com um toque e é incansável, destemido. Faz sentido que, se pensassem que haviam encontrado essa pessoa, eles trariam um grande número de si mesmos para o duelo. É o medo que os fez ser tão cautelosos com Waymar. Medo de terem encontrado seu verdadeiro inimigo mais uma vez. O demônio da estrela que sangra, um monstro feito de fumaça e sal com uma espada flamejante.
E a pergunta permanece: quando eles finalmente encontrarem essa pessoa, o que farão com ela? Vimos alguém falhar nos testes, que teve uma morte rápida e brutal. E se ocorrer um sucesso? Eles vão matá-lo de novo? Manterão Jon refém? Irão convertê-lo em seu novo rei do inverno? Desfilarão seu corpo eterno na frente de seus exércitos? Ainda podemos descobrir quando os Ventos do Inverno soprarem e o lobo branco finalmente uive.
TL;DR - Waymar foi morto porque Craster o achou muito parecido com um jovem e bem nascido patrulheiro Stark, um perfil que combina com Jon Snow. Os Outros podem até estar procurando especificamente Jon Snow por visões ou sonhos verdes com o mesmo empenho com que o mundo dos vivos está procurando por Azor Ahai e o Príncipe Prometido.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.07.23 05:35 car10s32 UNA LEYENDA QUE MI PAPÁ VIO

Mi padre es de un rancho aunque ahora vivimos en una ciudad en ese tipo de poblados se sacaba el agua para regar de las norias unos posos con agua me contó como una vez de chico ya de noche acarreando el agua para el próximo riego mi papa vio a una señora y su hijo atrás de ellos vio como el niño lloraba y la madre igual mi papá eran otros tiempos y no le importo terminaron esto y se fueron cuando se fue mi papá a su casa me contó como mi tío lo despertó porque le dijo que una chica quería entrar a la casa mi papá le dijo que donde le apuntó a la ventana de su cuarto y dijo que vio a la misma mujer y el mismo niños que parecían muy mojados (la ventana es de esas que tienen como un barandal) Dice que el niño no soltava el barandal diciendo que se quería quedar aquí y la mamá le dijo que no que ya era hora de hirse mi papá se asisto tanto que corrió con mis abuelos y escucho un lijeto rechinido en el pasillo y mi abuelo le dijo que si había visto eso? Mi papá con su cara pálida le dice que si al día siguiente mi padre fue a la noria solo para descubrir que estaba cerrada temporalmente y encontraron a los mismos mujer y chico muertos de ahogamiento mi papa no lo contó a nadie asta que creció para que lo tomarán encerio y dice que jamás en su vida estuvo tan asustado. Perdón por la falta de ortografía estoy en el teléfono Y pronto contare una que me ocurrió a mi si te gustó esta historia claro
Acabo de preguntarle a mi papá si escribí de manera correcta la historia acaba de llegar y me dijo que salte el echo de que estaban vestidos exactamente igual a como los encontraron ya fallecidos o como fantasmas le dije que esto creo ya era obvio pero incistio en que hiciera el edit para dejar en claro esto
submitted by car10s32 to HistoriasdeTerror [link] [comments]


2020.07.08 19:11 YatoToshiro Fate/Gensokyo #12 Medea (Caster)


https://preview.redd.it/ir3d6pzm1o951.png?width=510&format=png&auto=webp&s=118739b37dae2cf73234c23547978db482b91fec
O nome verdadeiro de Caster é Medéia, Uma princesa infeliz que foi rotulada como uma bruxa na mitologia grega. Ela era a princesa de Colchis que possuía o Velocino de Ouro. Seu pai, o rei Aeëtes de Colchis, se destacava na magia e, como filha dele, ela também era praticada dessa maneira. Sua personalidade na época estava longe do que seria chamado de bruxa, e seu destino ficou confuso depois que o herói famoso da Expedição Argo, Jason, apareceu diante dela.
Jason discutiu com o rei Pelias, o usurpador do país de seu pai, Iolcos, e finalmente o fez prometer retornar o país ao viajar para o leste a Colchis e retornar com o Velocino de Ouro. Ele foi apoiado pela Deusa Afrodite, e ao perceber que o rei de Colchis era inabalável, ela decidiu controlar a mente de Medéia para ajudar Jason. Medéia foi feita para amar cegamente Jason, o que a levou a trair seu pai e seu país por um estrangeiro que ela nunca tinha visto. Suas habilidades lhe permitiram anular a magia de seu pai e os bois encantadores que cospe fogo, o que deu a Jason a chance de obter o Velocino de Ouro.
O rei Aeetes ficou furioso e decidiu liderar pessoalmente seu exército para capturar Jason antes de deixar o país. Afrodite mais uma vez usou Medéia para ajudar na fuga de Jason, forçando-a a matar seu próprio irmão, Apsyrtus. Embora ela conhecesse Jason apenas pelo nome, seu amor forçado a levou a embarcar em seu navio, o Argo, e fatiar seu irmão em pedaços bem diante dos olhos de seu pai perseguidor. O rei, dominado pela dor, ordenou a coleta dos pedaços de seu filho morto, o que permitiu a oportunidade do Argo escapar de seus perseguidores.
Fate/Stay Night Caster foi originalmente convocado por um mago da Associação dos Magos antes do início da Guerra do Santo Graal. Ele era um mago legítimo, que estava na casa dos trinta, com uma constituição média e poucas outras características notáveis. Ele não tinha vontade de lutar, mas ainda sonhava com a vitória enquanto esperava que os outros Mestres se matassem. Ela rapidamente desistiu dele dentro de alguns dias, enquanto planejava cortar sua conexão com ele. Ela o fez usar seus feitiços de comando em coisas sem sentido, para que ele não tivesse controle sobre ela. Ela agiu como uma Serva obediente e preencheu a presunção do homem, a fim de fazê-lo acreditar que ela ainda seria fiel sem eles, e ao usar seu terceiro feitiço de comando, ela o matou com o Quebrador de Regras, porque não gostou do fato de o contrato ainda existia.
À beira de seu corpo espiritual se dissipando, ela tropeçou em Souichirou Kuzuki, aos pés do Templo Ryuudou. Caster implorou a esse estranho por sua ajuda; Kuzuki obedeceu sem hesitar, formando um novo contrato com ela. Ele então trouxe Caster ao templo e cuidou da recuperação dela. Caster rapidamente se apaixonou por Kuzuki, pois ele foi o primeiro homem a mostrar sua genuína bondade, dedicação e lealdade. Seu objetivo principal passou de obter o Santo Graal para si mesma, simplesmente preservando o pouco tempo que passaram juntos. Para alcançar esse objetivo, ela retirou Mana da população da cidade de Fuyuki e fortaleceu sua posição no Monte Enzou.
Ela é conhecida por outras pessoas como convidada de honra da família Ryuudou, com permissão para viver no templo até que os preparativos para o casamento sejam finalizados. Ela é considerada uma mulher linda e talentosa, porém misteriosa, de alta estatura. Sua presença atraiu a atenção de muitos monges trainees.
Caster encontrou e matou o mestre regular de Assassin antes que ele pudesse fazer a convocação. Ela usou o portão da montanha como um catalisador para convocar um servo falso assassino conhecido como Sasaki Kojirou.
A fortaleza de Caster no Templo Ryuudou é brevemente atacada por Saber, embora seu próprio Servo, Assassino, consiga segurá-la. Algum tempo após a derrota de Berserker, ela interrompe sua coleção de Energia Mágica e invade a Residência Emiya para roubar Saber. No entanto, Shirou a impede de usar o Rule Breaker no Saber, usando seu próprio corpo. Durante esse confronto, Caster menciona que seu Mestre e Assassino estão mortos, afirmando que ela mesma matou seu Mestre. Caster é então despedaçado pelo Portão da Babilônia de Gilgamesh quando ela faz outra tentativa de tomar Saber.
Unlimited Blade Works Ela mira em Saber como uma ferramenta para derrotar Berserker, e usa sua magia para controlar Shirou Emiya, fazendo-o ir ao Templo Ryuudou para receber seus feitiços de comando. Antes que ela possa levá-los, no entanto, ela é atacada por Archer, que a derrota com Caladbolg II, forçando-a a recuar.
Ela aparece novamente quando Rider usa Blood Fort Andromeda na escola, ajudando seu Mestre a segurar Saber enquanto seu Mestre mata Rider. Este incidente faz com que Shirou e Rin Tohsaka tentem derrotá-la, emboscando seu Mestre à noite. No entanto, seu ataque não teve êxito quando Kuzuki se mostrou mais poderoso do que o esperado.
O próximo passo de Caster é levar Taiga Fujimura como refém e usá-la para atrair Sabre, levando-a com sucesso como Serva. Depois de capturar Saber, Caster ataca a igreja e aparentemente mata Kirei Kotomine, assumindo a igreja e usando-a como reduto. Mais tarde, ela toma Archer como seu servo quando ele trai Rin.
A última batalha da facção de Caster acontece contra Shirou, Rin e Lancer. Enquanto Lancer luta contra Archer e Shirou luta com Kuzuki, Caster é confrontado por Rin e derrotado pelo uso de artes marciais chinesas por Rin. Antes que Rin possa terminar Caster, ela é nocauteada por Kuzuki, que já derrotou Shirou. Os momentos finais de Caster estão em proteger seu Mestre de uma série de lâminas de dentro das Obras Ilimitadas das Lâminas, quando ele a trai.
Heaven's Feel Caster é morta no início de Heaven's Feel por Saber. Após sua derrota, ela foi a primeira Serva a ser devorada pela Sombra antes de desaparecer, interferindo assim no ritual da 5ª Guerra do Santo Graal e fazendo Sakura no Graal Menor, em vez de Illya. Mais tarde, Zouken Matou usa um de seus familiares de verme para manter o corpo de Caster vivo como um fantoche. Saber e Archer mais tarde destroem o boneco durante um confronto com Zouken.
Ela nota que Assassin não está no portão do templo e corre para o quarto de Kuzuki. Lá ela encontra Kuzuki, que foi gravemente ferido pelo True Assassin. Ele diz a ela para remover seu controle sobre ele como resultado de ser convocado do corpo de Assassin. Acreditando que poderia salvar Kuzuki, Caster se apunhala com o Rule Breaker para rescindir o contrato. No entanto, True Assassin responde imediatamente cortando sua garganta para matá-la e jogando um punhal na cabeça de Kuzuki para acabar com ele depois. Depois que ele sai, o corpo de Caster é levado pela Sombra.
Caster mais tarde aparece como o fantoche de Zouken sustentado por seus vermes quando Shirou, Saber, Rin e Archer o confrontam no parque. Desgostoso com o cadáver de Caster sendo profanado, Saber cobra por ela e Zouken. Puxando o Quebrador de Regras do peito, Caster se prepara para esfaquear Saber, mas Archer intervém cortando o braço dela. Ela então prepara uma enorme bola de fogo para matar Shirou e Rin, mas a Sombra parece chocar todos os presentes. Caster joga sua bola de fogo na Sombra, apenas para a entidade misteriosa a absorver. Depois que Zouken escapa quando é decapitado por Archer, o corpo de Caster é consumido pela Sombra.
Fate/Hollow Ataraxia Caster continua como uma mulher normal, normalmente encontrada em viagens de compras em áreas como o mercado da cidade e o shopping. Ela vive como a esposa de Kuzuki Souichirou e tenta ser uma de suas aprovações na maioria de suas ações. Quando vista no templo Ryuudou, ela costuma fazer tarefas domésticas e permanece em desacordo com seu próprio servo, assassino. O lançador, embora tenha se estabelecido como o resto dos servos, é o mais cauteloso, apesar da paz, pronto para agir em pouco tempo. Ela é a primeira pessoa a descobrir o ciclo de quatro dias além de Bazett. Ela também luta contra as sombras dos cães usando feitiços anti-exército, muitas vezes chegando perto de matar seus aliados.
Fate/Unlimited Codes Ela é conhecida como o Mago da Era dos Deuses.
Fate/Tiger Colosseum A rota de Caster é definida durante um de seus planos para passar mais tempo com Kuzuki, desta vez fingindo ser um aluno de sua escola. Caster primeiro convida Sakura para o templo e depois que se sabe que Sakura não emprestará seu uniforme a Caster, Caster rapidamente adota a magia e a coloca em um sono encantado para roubar seu uniforme. Mas antes que ela pudesse continuar com a ação, Rider intervém para proteger sua amante, no entanto, Caster também a faz mal. Decidindo que ela não tinha mais coragem de roubar o uniforme, Caster escolheu lançar um feitiço de disfarce para dar a percepção de que ela usava um uniforme escolar.
Depois de deixar o templo, acontecem travessuras, que incluem fugir de Sabre ao embarcar em um ônibus, punir Lancer e combater Rin e Archer. Depois de ter tido o suficiente, Caster retorna ao templo exausto por sua tentativa fracassada de passar um dia com Kuzuki e, enquanto leva sua frustração ao assassino, Kuzuki retorna e a surpreende com dois ingressos para o filme.
Fate/kaleid liner PRISMA☆ILLYA Quando ela se manifestou, sua aparência é ligeiramente alterada. A capa e o vestido têm uma aparência esfarrapada, com pêlos brancos nos ombros. Miyu Edelfelt usa Gae Bolg para matá-la e obter o Cartão de Classe com a ajuda de Illya.
submitted by YatoToshiro to Fate_GensokyoBR [link] [comments]


2020.06.25 18:14 altovaliriano Por que Martin não quer falar sobre Qarth?

Em 2014, quando “O Mundo de Gelo e Fogo” foi lançado nos Estados Unidos, todos os cinco livros com que a saga hoje conta já haviam sido lançados. Em verdade, até mesmo “Atlas das Terras de Gelo e Fogo” já estava a venda havia dois anos. Portanto, os leitores esperavam que o livro co-escrito por Linda Antonsson e Elio Garcia Jr. servisse para aprofundar o conhecimento sobre um mundo que Martin vinha desnudando em câmera lenta, em um longo strip-tease de 18 anos.
O livro provou ser tudo isso e um pouco mais. O autor fictício do livro, meistre Yandel, não se limita a descrever ponto-a-ponto toda a geografia e história conhecida, como também explora relatos, lendas e rumores, ponderando sobre sua confiabilidade e autenticidade. Assim, mesmo a escassez de conhecimento objetivo não impediu meistre Yandel de nos apresentar aos rincões mais distantes do mundo em que “As Crônicas de Gelo e Fogo” se passam.
Exceto em três casos.
1. Os casos de Solarestival, Meereen e Qarth
Desde a primeira leitura de TWOIAF, é possível perceber que Yandel mantém a tragédia em Solarestival sob as mesmas névoas misteriosas que a encobrem na saga principal. Quando o meistre toca no assunto, é sempre breve e digressivo.
De fato, um dos golpes mais baixos de Yandel vem na forma de um relato do Arquimeistre Gyldayn que, convenientemente, estava parcialmente ininteligível em razão de uma mancha de tinta. Ao fim da leitura, era virtualmente possível ouvir as risadinhas de Martin, seguidas pelo tradicional “keep reading“.
O caso da Baía dos Escravos é bem mais sutil. O livro já começa antecipando um resumo sobre as cidades escravocratas. Mas Yandel se limita a relacioná-las com a queda do Império Ghiscari, e lhes retrata com desdém (TWOIAF, A Ascensão de Valíria).
No decorrer do livro, algumas pequenas notas complementam o resumo inicial com curiosidades, mas não há um capítulo dedicado à cultura e história de Astapor, Yunkai, Meereen ou mesmo da Baia dos Escravos como região (como ocorre com outras localidades mais insignificantes, como as planícies de Jogos Nhai).
Acredito que isto passe despercebido em grande parte porque muitos leitores não gostam da campanha de Daenerys na Baía dos Escravos, e perderam o interesse pela região ao longo dos livros. Contudo, como eu achava improvável que Martin compartilhasse da falta de entusiasmo dos leitores, eu senti vontade de verificar a razão do silêncio.
Eu encontrei a resposta em uma entrevista que Elio e Linda deram ao site Adria’s News em 2015. A intenção dos co-autores com isso era, de fato, esconder potenciais spoilers. Mas para minha surpresa, as razões de meistre Yandel era outras, decorrentes de sua personalidade: ele aparentemente abomina a escravidão.
Em todo caso, a entrevista acabou revelando algo muito mais interessante, que eu havia deixado passar. Abaixo transcrevo (e traduzo) a passagem interessante:
Você criou o personagem Meistre Yandel para ser o fio narrativo, mas ele é tendencioso como qualquer historiador é na vida real. Você decidiu que assim seria para ter uma abordagem mais realista ou para pôr possíveis spoilers sob um filtro ambíguo?
Elio M. García Jr: A maior parte das inclinações que vemos decorre do momento, no qual há pessoas importantes e poderosas que ele não deseja ofender. O que será que ele realmente pensa? Essa é a questão. Certamente, ele não deve ter pensado bem no que os Martells iriam falar quando ele escreveu que Elia pode ter assassinado seus próprios filhos. Eu não consegui acreditar que eu inventei isso, mas se ele está preocupado com os Lannister ficarem irritados, ele tem que explicar a morte deles de alguma forma. De todo modo, eu não acho que ele vai passar as férias em Dorne durante algum tempo. Mas, de modo geral, o viés serve apenas para ser realista, haja vista que ele é muito consciente sobre a política do tempo em que ele está escrevendo. Os spoilers foram escondidos ao colocarmos coisas que ele não trata muito, como Qarth e Meereen, pois ele acha que eles são lugares horríveis, com a escravidão e tudo mais, mas também porque George não nos fornecia nada sobre Qarth. O outro grande foco de spoilers era Solarestival, mas George não quis nos informar muito sobre isso também.
Assim, se por um lado, vemos que informações sobre Meereen, Qarth e Solarestival têm sido escondidas do público, por outro, ficamos sabendo que Martin considera que manter segredo sobre Qarth é tão importante para a trama quanto o sigilo sobre o que aconteceu em Solarestival.
E, de fato, Qarth não tem um capítulo em “O Mundo de Gelo e Fogo”. Fora apresentar informações pontuais (algumas até repetições do que havia sido explicado em outros livros), tudo que Yandel diz é: “Sobre a misteriosa Qarth, não posso apontar fonte melhor do que Compêndio de Jade, de Colloquo Votar, o trabalho mais importante sobre as terras ao redor do Mar de Jade” (TWOIAF, Além do Reino do Pôr do Sol: Outras Terras).
Qarth, portanto, merece ser melhor examinada.
2. O que poderia haver em Qarth?
A importância de Solarestival e Meereen são facilmente percebidas. A tragédia de Solarestival será o capítulo final da vida de Dunk e Egg e é um segredo em si mesma. Por sua vez, vimos que o que divide Meereen entre seguidores de Daenerys e falsos amigos da rainha são razões históricas. Portanto, é razoável que Martin prefira deixar os bastidores históricos para “Os Ventos do Inverno”, e surpreender os leitores, do que colocar três páginas a mais em “O Mundo de Gelo e Fogo”.
A história de Qarth, por outro lado, tem implicações diferentes. Uma vez que a cidade nunca foi parte dos domínios valirianos, é muito capaz que essas duas civilizações já tenham guerreado. De fato, em “A Fúria dos Reis”, um dos cavaleiros dothrakis de Daenerys encontra algo relevante ao Sul de Vaes Tolorro:
Rakharo foi o primeiro a voltar. Ao sul, o deserto vermelho estendia-se por uma longa distância, ele relatou, até terminar numa costa desolada junto à água venenosa. Entre aquele lugar e a costa havia apenas turbilhões de areia, rochedos polidos pelo vento e plantas eriçadas de espinhos pontudos. Tinha passado junto às ossadas de um dragão, jurou, tão imensas que havia conduzido o cavalo por entre as suas grandes maxilas negras. Além disso, nada viu.
(ACOK, Daenerys I)
Essa impressionante descrição se assemelha à de outros animais formidáveis, muito conhecidos pelos leitores:
[…] Os poetas tinham-lhes atribuído nomes de deuses: Balerion, Meraxes, Vhagar. Tyrion estivera entre suas maxilas escancaradas, sem palavras e cheio de respeitoso temor. Podia ter entrado a cavalo pela garganta de Vhagar, embora não fosse possível voltar a sair. Meraxes era ainda maior. E o maior de todos, Balerion, o Terror Negro, podia ter engolido um auroque inteiro, ou até mesmo um dos mamutes peludos que diziam viver nas frias extensões para lá do Porto de Ibben.
(AGOT, Tyrion I)
Portanto, a ossada descoberta no Deserto Vermelho indica que o dragão que morreu ali era comparável aos maiores dragões da dinastia Targaryen. À luz da negativa de Martin de elaborar mais sobre a história de Qarth, essa descoberta passa a ser mais chamativa, pois parece indicar que, no passado, os qaathi (povo do qual os qarthenos são os últimos descendentes vivos) foram capazes de derrotar dragões desta magnitude.
Outro item que conecta valirianos e quarthenos é o berrante Atador de Dragões. Euron Greyjoy afirma ter reivindicado o artefato quando caminhou sobre Valíria. Contudo, muitos leitores (e até personagens) duvidam dessa afirmação, e acreditam que Euron roubou o berrante dos magos qarthenos que ele sequestrou (dentre os quais, o inimigo declarado de Daenerys, Pyat Pree). Esta suspeita encontra respaldo em uma fonte semi-canônica (APP, Qarth).
Entretanto, para fins da presente reflexão, interessa saber como os magos da Casa dos imortais conseguiram um berrante com glifos valirianos, feito de chifre de dragão, que supostamente tem o poder de submeter e “atar” dragões à vontade de quem quer que o sopre.
É difícil de se pensar que valirianos presenteariam qarthenos com instrumentos mágicos capazes de domar dragões, à qualquer título que fossem (ex: presente de casamento, oferenda aos imortais ou recompensa por serviços). Seria mais simples que alguém em Qarth o tivesse roubado dos valirianos. Não necessariamente enquanto os donos originais estivessem vivos.
Enquanto refletia sobre o adestramento de Drogon, Daenerys recordou que “os senhores de dragões da antiga Valíria controlavam suas montarias com feitiços de ligação e cornos mágicos” (ADWD, Daenerys X). Nesse sentido, a ossada do dragão no Deserto Vermelho poderia ser uma pista de como os magos o adquiriram. A pilhagem do cadáver de um cavaleiro de dragão que a cidade logrou derrotar explicaria a origem do berrante.
O artefato mágico, inclusive, poderia explicar porque os valirianos nunca expandiram seu império até Qarth. De posse do berrante, os qarthenos poderiam neutralizar o perigo dos dragões de Valíria. O Deserto Vermelho e as muralhas triplas forneciam a proteção da cidade contra investidas por terra, porém o Atador de Dragões seria a garantia de que Qarth estaria à salvo do fogo dos dragões.
Por fim, a última razão: George poderia ainda estar preocupado em dividir informação sobre Qarth porque teria que revelar os segredos da Casa dos imortais e da ordem dos Magos qarthenos, da Sombra da Tarde que eles consomem e das árvores de casca preta e folhas azuis (represeiros de cor invertida) de onde a bebida é extraída.
A mais breve incursão em tais assuntos poderia revelar demais sobre a trama que Martin está reservando para os próximos livros. De fato, os magos de Qarth retornaram à cena em “A Dança dos Dragões” com Euron Greyjoy e chegaram a Westeros antes de Daenerys. Portanto, sua crescente importância como vilões revela um potencial para influenciar o próprio final da saga.
Assim, é natural que Martin procure contornar qualquer oportunidade de falar sobre os magos e a natureza de sua magia. É certo que, como uma organização milenar em Qarth, a Casa dos Imortais deve ter desempenhado papel ativo na proteção da cidade contra eventuais investidas dos valirianos e outros invasores. Assim, falar sobre a história de Qarth é, de certa forma, discutir a natureza dos poderes do magos.
Essas são as razões que consegui supor. Como vemos, todas essas especulações são muito coerentes… mas não temos como afirmar nada disto com convicção.
Com efeito, Qarth não é o único lugar do mundo conhecido que possui organizações secretas com perfil mágico. Yandel foi capaz de dedicar um capítulo inteiro a descrever Braavos em ricos detalhes (apresentando um mapa, inclusive) sem que nenhum segredo dos Homens sem Rosto fosse revelado em “O Mundo de Gelo e Fogo”. Outro capítulo foi dedicado à Asshai (onde também há magos qarthenos em atividade) e a cidade continua tão misteriosa e insondável como sempre. Porto Real foi muito citada e explorada, mas não ganhamos nenhum conhecimento novo sobre a Guilda dos Alquimistas.
Assim, não há razão para acreditarmos que Martin não seria capaz de apresentar a história e a cultura de Qarth evitando discutir a natureza da magia praticada na Casa dos imortais.
Quanto ao Atador de Dragões, apesar de que a hipótese apresentada logre juntar os poucos elementos que temos à disposição de modo coerente, não há qualquer justificativa para nos fecharmos a outras possibilidade. Ou, questiono eu, seria absolutamente impossível que Martin alegasse que, no passado, um senhor de dragões valiriano sem montaria caiu em desgraça, passou por Qarth e vendeu seu valioso berrante para refazer sua fortuna? É uma explicação plausível.
Tampouco cabe alegar que um valiriano jamais cederia o berrante porque isso possibilitaria que Qarth desafiasse Valíria, pois, veja: independentemente de como o conseguiram, os magos têm um berrante. Se isso os pusessem em condições de competir com a península valiriana, o desafio já teria acontecido. E se o desafio já tivesse acontecido, Qarth teria se tornado sede de poder e teria seus próprios dragões. Como nada disso aconteceu, devemos concluir que o Atador de Dragões sozinho não tinha poder o suficiente para abalar Valíria.
Por outro lado, a carcaça de dragão em meio ao Deserto Vermelho dificilmente é prova contundente de coisa alguma, exceto de que ali foi o local do último descanso da fera. Pensar que a criatura era montada por um cavaleiro de dragão é mera especulação.
Ossos de dragão têm sido encontradas de Ibben a Sothoryos. Yandel acredita que isso é evidência de que essas criaturas, ainda que originárias das catorze chamas, “devem ter se espalhado pela maior parte do mundo conhecido antes de serem domados” (TWOIAF, História Antiga: A Ascensão de Valíria).
Além disso, há quem acredite que os dragões surgiram nas “Terras das Sombras para lá de Asshai e das ilhas do Mar de Jade“ (AGOT, Daenerys III). Portanto, os ossos no deserto vermelho podem ser apenas restos de um antigo dragão selvagem.
3. O mistério da fonte
Uma vez que Martin escolheu não nos dar uma fonte primária confiável sobre a história e cultura de Qarth, somente nos resta analisar a fonte a que ele faz remissão: o “Compêndio de Jade”, escrito por Colloquo Votar, um aventureiro de Volantis.
A obra de Votar foi mencionada primeira vez em “O Festim dos Corvos”, e depois novamente em “A Dança dos Dragões” e “O Mundo de Gelo e Fogo”. Na saga principal, porém, o livro não se limita a ser citado. Ele aparece na Muralha. Sam busca um exemplar nas bibliotecas subterrâneas de Castelo Negro para entregar a Meistre Aemon, que, depois de examiná-lo com ajuda de Clydas, o entrega ao Lorde Comandante Jon Snow.
Enquanto relia os livros para escrever esse artigo percebi pela primeira vez que o trecho em que Aemon e Jon conversam brevemente sobre o Compêndio de Jade aparece tanto em “O Festim dos Corvos” quanto em “A Dança dos Dragões” (AFFC, Samwell I; ADWD, Jon II). Fica parecendo que Martin achou por bem frisar aquela conversa.
Ao apresentar o Compêndio a Jon Snow, a intenção de Aemon era que o Lorde Comandante percebesse que a espada de Stannis não se parecia com a Luminífera da profecia de Azor Ahai. Jon chega a ler o livro, mas apenas nas páginas que o velho meistre fez Clydas marcar. O Lorde Comandante resume assim o trecho que leu (grifos nossos):
[…] – Eu olhei o livro que Meistre Aemon me deixou. O Compêndio de Jade. As páginas que falam de Azor Ahai. Luminífera era a espada dele. Temperada com o sangue de sua esposa, se é possível acreditar em Votar. Depois disso, Luminífera nunca foi fria ao toque, mas quente como Nissa Nissa havia sido quente. Em batalha, a lâmina queimava ardente em fogo. Uma vez Azor Ahai lutou com um monstro. Quando enfiou a espada pela barriga da criatura, o sangue do monstro começou a ferver. Fumaça e vapor saíram de sua boca, os olhos derreteram e escorreram pela sua face, e seu corpo explodiu em chamas.
Clydas piscou.
– Uma espada que faz seu próprio calor…
– … seria uma coisa boa na Muralha. – Jon colocou a taça de vinho de lado e vestiu as luvas negras de pele de toupeira. – Uma pena que a espada que Stannis empunha é fria. […]
(ADWD, Jon III)
A parte em negrito acrescenta fatos novos à versão da lenda de Azor Ahai que nos foi contada em “A Fúria dos Reis” por Sallador Saan. Desse modo, parece que o Compêndio conta com uma versão mais completa do mito. E esta versão teria sido resultado das viagens de um estrangeiro, Colloquo Votar, por “todas as terras do Mar de Jade” (AFFC, Samwell I ; ADWD, Jon II). E entre as terras estão Qarth, Yi Ti e Leng.
Por coincidência, este é o livro cujo relato sobre Qarth é, na opinião de meistre Yandel, a melhor fonte de informações que Westeros tem sobre a cidade e arredores (TWOIAF, Além do Reino do Pôr do Sol: Outras Terras ; TWOIAF, Os Ossos e Além: Yi Ti). O livro provavelmente também é a fonte mais completa. Caso contrário Yandel não se limitaria a dizer ao leitor para consultar o “Compêndio”.
Obviamente, a declaração de Yandel foi a forma achada por George Martin para nos dizer que só teremos acesso ao Compêndio (e a informações sobre Qarth) através do que as personagens nos contarem. Entretanto, ao colocar as coisas assim, Martin também nos revela que o Compêndio deve conter informações relevantes inéditas.
Mas quais são as informações que o “Compêndio de Jade” nos deu até o momento?
Samwell Tarly se refere ao livro como “um grosso volume de contos e lendas do Oriente” (AFFC, Samwell I), e realmente contos e lendas é tudo que sabemos haver nele. Segue a lista do que ouvimos falar:
  1. A versão mais completa que já ouvimos sobre a lenda de Azor Ahai e Luminífera, transcrita acima (ADWD, Jon III);
  2. uma lenda curiosa de Yi Ti sobre uma mulher com uma cauda de macaco que logrou trazer de volta o sol, após este ter escondido seu rosto da terra por uma geração – a lifetime, em inglês –, envergonhado de algo que ninguém jamais descobriu o que era (TWOIAF, História Antiga: A Longa Noite);
  3. O melhor relato sobre Qarth, na opinião de meistre Yandel (TWOIAF, Além do Reino do Pôr do Sol: Outras Terras);
  4. A afirmação de que, sob cada cidade de Yi Ti, existem outras três cidades mais antigas enterradas (TWOIAF, Os Ossos e Além: Yi Ti);
  5. o relato de que a Imperatriz de Leng, em pelo menos quatro vezes na história da ilha, condenou todos os estrangeiros da ilha à morte com base em ordens recebidas dos “Antigos”, deuses que viviam nas profundezas das cidades subterrâneas em ruína (TWOIAF, Os Ossos e Além: Leng).
Podemos observar que, fora o que já tratamos ao longo deste artigo, somente temos informações sobre Yi Ti e Leng, regiões que a primeira vista não são de interesse para a trama principal.
Ademais, das três informações, somente uma faz referência indireta a algo de interesse da trama principal: uma lenda sobre a experiência de Yi Ti durante a Longa Noite, em que uma heroína com cauda de macaco salvou o mundo de uma catástrofe.
Ocorre que essa lenda em específico parece reverberar na cultura de Yi Ti até os dias de hoje, da mesma forma como a lenda de Azor Ahai parece estar entranhada nos costumes dos qarthenos.
Não parece ser à toa que o livro pelo qual os westerosis tem a mais completa fonte de informações sobre Qarth é aquele que também contém a versão mais completa da lenda de Azor Ahai.
Explico: há algum tempo, leitores absolutamente detalhistas sugeriram que os vestidos femininos dos qarthenos, que deixam um seio exposto seriam uma referência à Nissa Nissa, a quem, segundo a lenda, Azor Ahai teria ordenado “desnude o peito, e fique sabendo que a amo mais do que a qualquer outra coisa no mundo” (ACOK, Davos I) antes de temperar luminífera em seu coração.
Isso já me soava como algo que se encaixa bem com o estilo de criação de mundo de Martin. Quando, à luz disso, eu li sobre a heroina com cauda de macaco, imediatamente me lembrei que Daenerys havia observado no mercado oriental de Vaes Dothraki “os homens de olhos brilhantes de Yi Ti com seus chapéus de cauda de macaco” (AGOT, Daenerys VI) e que “um gordo comerciante de tecidos de Yi Ti regateava com um pentoshi o preço de um corante verde qualquer, fazendo oscilar de um lado para o outro a cauda de macaco do chapéu quando balançava a cabeça” (AGOT, Daenerys VI).
Portanto, me sinto forçado a concluir que a influência que os mitos da Longa Noite exerceram sobre a moda de Yi Ti e Qarth foi criada para servir de exemplo de equiparação.
Este caso foi feito para servir de parâmetro e possibilitar ao leitor decifrar as correlações entre os eventos descritos no Compêndio de Jade e elementos da vida cotidiana das personagens, escondidas sob a fachada de contos e lendas de terra estranhas.
Por isso, acredito que o silêncio de Martin sobre Qarth funciona como convite à reflexão das evidências cifradas a nossa disposição. E, conforme se vê da lista acima, há no mínimo mais dois de relatos do livro de Colloquo Votar cuja funções na narrativa permanecem desconhecidas.
O que vocês acham?
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.06.25 17:13 ferfreax A quarentena rendeu desabafo (e niilismo)

Bom dia brasileiras/es/os, vocês já me conhecem aqui por meio dos apelos que faço procurando formas de conseguir dinheiro. Hoje o desabafo contempla outra esfera: o país como um todo. Frequento essa comunidade aqui por diversas razões, mas a principal é que apesar das diferenças (não só) ideológicas, não vejo ninguém aqui fazendo apologia ao governo miliciano que "instaurou-se" no Brasil. Desse modo, segue meu desabafo:
No segundo semestre de 2018, ano das eleições presidenciais, vivenciava dentro do departamento de História da UEM (Maringá), vários professores embasbacados com os rumos que o país tomaria. Lembro-me que antes mesmo de tomar consciência do poder bolsonarista (e esquemas), uma professora, em resposta a uma pergunta que fiz, disse claramente que o Bolsonaro ganharia, disse ainda: "é o momento que vamos presenciar todos os ratos saindo do bueiro". Dito e feito. Só não imaginava que o bueiro tinha capacidade de acolhimento pra tanta merda. Mas tem. E cada dia, desde então, somos obrigados a assisti-las estampadas (agora mais que nunca, visto que estamos ficando cada vez mais em casa) em todos os meios de comunicação em massa (claro que com algumas ressalvas e entendendo que essa obrigação não se estende a todos.
Esse acesso instantâneo à informação concede ao tempo histórico que estamos vivendo, desdobramentos jamais sentidos. Falo aqui, na qualidade de professor de história (não quero enfiar meu diploma no cu assim como muitos dos meus colegas o fizeram), que a coisa, meus amigos, a coisa tá feia. Sei que não é uma novidade, qualquer ser humano tangido minimamente pela noção de consciência (e não precisa necessariamente ser a de classe, sei também que ninguém é um cristal lapidado) sabe que a coisa tá cambiando do RUIM 'pro' PIOR.
Estamos inseridos em quantos momentos históricos SOMENTE em 2020? Vocês já se perguntaram isso? Não bastando as inúmeras trocas nos ministérios (e aqui e não dou enfase só ao governo atual não, eu remonto também aos anteriores, mas também fazendo o bom uso das ressalvas, afinal, não estávamos em pandemia), também tivemos desligamento de uma porção de secretários, renúncias e renúncias de cargos presenteados. Foi nesse imbricamento que aplaudimos Dória, o mesmo que anos antes lançou jatos de água fria nos moradores de rua. Foi também que nos indignamos com a saída de Mandetta, o mesmo que promovia o SUS sucateado (privatização da saúde). Foi nesse momento que aumentamos o volume da televisão já ligada na emissora de maior audiência, que desenrolou a operação lava-jato na frente dos brasileiros, apoiou Aécio, ridicularizou Dilma e, não obstante, serviu de alicerce pra ditadura militar, pra ouvir o Alckimin (eu nem sei escrever o nome desse cara) falar. Foi nesse momento que a CNN bombou no youtube, e que os debates passaram a ser o maior entretenimento do brasileiro indignado. Foi também nesse momento que o brasileiro acompanhou ansioso o depoimento de 9 horas (ou mais) do então juiz e ex-ministro da justiça, Sérgio Moro.
Eu não estou aqui nos julgando, não estou aqui julgando os que foram às ruas (como eu fui), nem os que optaram por ficar em casa (como amigos o fizeram). Não estou julgando a TV no volume alto durante um debate descabido de uma emissora gerenciada por idiotas vestidos de terno (e aqui não me refiro aos jornalistas, embora a muitos eu também atribua essa expressão), nem os comentários de apreciação ao governador de São Paulo (que fez sim o mínimo, O MÍNIMO. Salvou vidas? Salvou. Lembro-me de um post que apaguei há meses atrás em que fui ridicularizado nos comentários por apontar essa postura mínima do Dória, visto que ele, agora, salvava vidas). Repito aqui que sim, foi o mínimo. O mínimo da empatia, o mínimo da decência. O objetivo não é julgar ninguém (exceto aqueles que compactuam com as formas de opressão já muito estabelecidas e estigmatizadas nesse país), é apenas condensar esse furdúncio histórico que estamos TODOS passando. Inclusive o pai que apertou 17, a mãe que votou branco, a tia que menospreza reforma trabalhista mas ao mesmo tempo concorda com os cortes de salário das grandes empresas, mas, como não diz respeito ao salário dela, então tem que cortar mesmo. Esse momento histórico contempla também o pior pesadelo já vivenciado na história do país, alcançamos nos últimos dois meses, o maior número de mortes da HISTÓRIA DO BRASIL. E, claro, sem ministro da saúde.
Eu poderia deixar de citar outras situações, mas não deixarei. Me sinto na obrigação de condensar as indignações que estamos engolindo há mais de 90 dias. Não citarei todas, algumas fugiram da minha memória - assim como também da de vocês. O acesso a informação, aquele que já mencionei em algum momento desse desabafo, inunda nossa mente a todo maldito segundo que a memória, aos poucos, vai se esvaindo. E o brasileiro, diante das situações horríveis que o acometem, fica cada vez menos bestializado. Vamos nos bestializar lembrando da Regina Duarte, que agora foi pra cinemateca enterrar de vez o cinema brasileiro - que aos poucos também vem vivenciando seu desmonte, um claro exemplo disso são as proibições de alguns temas relatados, bem como DITADURA. Regina Duarte carregou a titulação de secretária da cultura sem ter feito absolutamente nada, a única memória que tenho dela é da entrevista dada também à CNN (já citada aqui), que foi um dos grandes marcos da vergonha. Depois dela, veio alguém pior, o galã de Malhação. Vamos nos bestializar e lembrar que desde o início da pandemia o Bolsonaro foi contra a ciência, contra os estudos, contra as universidades públicas. Vamos nos bestializar com os pronunciamentos, com indiretinha pra globo e pro Dráuzio, com rinoplastia da sogra, desligamento dos aquecedores (?) da piscina. Vamos nos bestializar com o advogado do diabo, que escondeu por meses o Queiroz (que foi preso, e lançou também sobre nós uma fagulha de esperança que em mim, pelo menos, já se dissipou). Vamos nos bestializar com a "gripezinha", com a bandeira de Israel em frente ao Planalto ou qualquer outro lugar que não me lembro mais qual era. Vamos nos bestializar e mais que isso, vamos lembrar da força bruta da polícia, que já era porca, legitimada pela fala de um conservador no poder.
Vamos nos bestializar com o racismo estrutural no Brasil, um dos últimos países a abolir a escravidão. Vamos nos bestializar com aquela pessoa que estudou com você no ensino fundamental, que fez hoje psicologia e gravou vídeo dizendo que "não vê racismo". É hora de se bestializar com o pai que fala "aquele preto é maconheiro", ou com a mãe que diz "nossa meu cabelo tá crespo, parece que tá ruim". Vamos nos bestializar com as cotas raciais fraudadas. Com projetos de leis descabidos: armamento da população, restrição do uso do nome social (grande perda na comunidade trans), PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA, liberação do corte de salários e demissões, diminuição do salário dos professores e demais funcionários públicos. Tem também aquela ideia do projeto de lei anti-terrorismo, que vez o outra aparece.
Além disso que citei, tem mais uma porção de coisas que aconteceram nesse tempo, mas eu tô cansado de botar a cabeça pra funcionar. To cansado de pensar. To cansado de sofrer. Tentei fazer o máximo, me vinculei agora, de última hora à um coletivo, onde estamos usando da nossa força interior e também de muita ajuda externa (doações de dinheiro, roupas e alimentos) pra ajudar algumas famílias que precisam muito. Tem me ajudado a continuar. Um dia de cada vez vou respirando pra não cair num buraco niilista. Confesso que apesar disso tudo, apesar de estar bestializado e tentar arrancar fôlego dos pulmões desgastados de tanto tabaco barato fumado, eu não consigo enxergar muita luz no fim do túnel. Precisou-se de um carro pra tirar o Collor, de pedaladas fiscais não comprovadas pra tirar a Dilma... e temos agora um número gritante de processos de impeachment que o Rodrigo Maia sentou a bunda e nunca mais levantou. O que precisa pra tirar o Bolsonaro? E mais ainda, será que ele saindo, o país vai ter luz no fim do túnel? Eu não acredito muito nisso.
O que vocês pensam do país nos próximos meses? Levando em conta aqui alguns fatos que não mencionei, como por exemplo a informação de ontem que trazia o Brasil como único país nessa pandemia a superar a marca de 100 dias de covid sem achatamento da curva. Ninguém sabe ao certo os números, o site do ministério da saúde ficou indisponível... os testes são mínimos. Enfim, to desmotivado. E descrente. Me falem de vocês. Podem me chamar no chat.

No mais, galera, vamos unir nossas forças.
submitted by ferfreax to brasil [link] [comments]


2020.06.15 04:52 altovaliriano Shae (Parte 3)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
Martin começa a trajetória de Tyrion em A Tormenta de Espadas já estabelecendo o destino de Shae. Tywin e Tyrion estão discutindo sobre a sucessão de Rochedo Casterly quando entram no assunto sobre Alayaya, Tysha e Shae. Curiosamente a pergunta parte do próprio Tywin:
E aquela seguidora de acampamentos no Ramo Verde?
Que importa? – perguntou, sem querer nem mesmo proferir o nome de Shae em sua presença.
Não importa. Não mais do que me importa que elas vivam ou morram.
(ASOS, Tyrion I)
Como sabemos pelo último capítulo, Tywin se importa, sim. Shae aparece no julgamento testemunhando contra Tyrion e falando de estar com ele desde Ramo Verde, um detalhe que dificilmente escaparia a Tywin. Além disso, nesta primeira conversa, o pai de Tyrion completa com uma sentença interessante:
E não tenha ilusões: esta foi a última vez que tolerei que trouxesse vergonha à Casa Lannister. Acabaram-se as putas. A próxima que encontrar em sua cama, vou enforcar.
(ASOS, Tyrion I)
E interessante que Tywin tenha ameado enforcar Shae se a encontra-se na cama de Tyrion, pois, como o verbete sobre Shae na Wiki Gelo e Fogo sinaliza, Tyrion fez exatamente isso com Shae quando a encontra na cama do pai em seu último capítulo do livro.
A primeira vez que vimos Shae foi em um encontro no quarto de Varys, à pedido (e insistência) de Tyrion. O anão havia determinado que usaria este encontro para dar um fim na relação com Shae, em decorrência das ameaças do pai, especialmente depois que Tywin citou explicitamente a “seguidora de acampamentos no Ramo Verde” logo no capítulo anterior.
O encontro parece ser um encontro típico entre os dois, exceto que há nas duas partes desejos ocultos. Tyrion quer tirar Shae da corte e Shae deseja exatamente o contrário. Quando Tyrion aborda o assunto de maneira direta, a garota troca imediatamente de assunto, procurando massagear o ego do anão:
Shae – disse –, querida, esta tem de ser a última vez que ficamos juntos. O perigo é grande demais. Se o senhor meu pai encontrá-la...
Gosto da sua cicatriz. – A moça percorreu-a com um dedo. – Faz com que pareça muito feroz e forte. [...] O senhor nunca será feio aos meus olhos. – Ela beijou a escara que cobria os restos destroçados do seu nariz.
(ASOS, Tyrion II)
Shae insiste em não dar ouvidos a Tyrion durante toda a conversa, se limitando a tentar manipulá-lo a deixar ficar na capital. Toda aquela compaixão pelo novo ferimento adquirido de Tyrion não contém qualquer coerência, porque a garota continua tão inescrupulosa e insensível quanto era em A Fúria dos Reis. Sua maior preocupação ainda são bens materiais e sua falta de empatia por Lollys Stokeworth ainda é gritante:
[…] O senhor vai me devolver agora as joias e as sedas? Perguntei a Varys se ele podia me dá-las quando você foi ferido na batalha, mas ele não quis. Que teria acontecido com elas se tivesse morrido? [...]
Posso ir ao banquete de casamento do rei? A Lollys não quer ir. Disse-lhe que ninguém deverá estuprá-la na sala do trono do rei, mas ela é tão burra.
(ASOS, Tyrion II)
Entretanto, nem tudo é repetição nessas frases arrogantes de Shae. No meio de tudo, há uma pequeno trecho de diálogo de importância futura. Quando Tyrion tenta fazer com que a prostituta compreenda o perigo que Tywin oferece à vida dela, a garota apenas responde “Ele não me assusta”.
Esta simples sentença revela que GRRM estava sutilmente costurando elementos nesta primeira conversa que seriam trazidos de volta novamente na última cena de Tyrion e Shae juntos. Quando a garota o vê nos aposentos do pai, ela se assusta e começa a disparar justificativas. Entre estas justificativas, ela justamente se contradiz dizendo “Por favor. Seu pai assusta-me tanto” (ASOS, Tyrion XI).
Naquele primeiro diálogo, Shae sabia que Tyrion havia perdido seu cargo e, com isso, até mesmo sua permanência como aia de Lollys dependia inteiramente de ela manter seu disfarce. Àquela altura, o anão não tinha mais poderes de lhe arranjar uma nova colocação para ela, e por essa razão a garota sabia que tinha que tentar extrair de Tyrion o máximo que conseguisse.
Com isto em mente, fica claro que GRRM faz da cobrança de promessas antigas uma metáfora visual para Shae tentando segurar Tyrion via dominação sexual. Segundo o próprio Tyrion (ASOS, Tyrion VII), seu pênis era o orgão responsável por fazê-lo agir tolamente frente a manipulação da garota. E é justamente por aí que Shae o está segurando na cena, literalmente:
Não quero sair. O senhor me prometeu que eu voltaria a me mudar para uma mansão depois da batalha. – A boceta dela deu-lhe um pequeno apertão, e ele começou a enrijecer de novo, dentro dela. – Um Lannister sempre paga as suas dívidas, você disse.
(ASOS, Tyrion II)
Ao perceber que não vai conseguir nada por esta via, Shae passa a falar sobre o casamento de Joffrey e elabora um plano para que Tyrion a leve consigo, em troca de favores sexuais durante a festa. Aqui a garota não está mais se valendo da dominância, mas tentando persuadir o anão. Por isso, Shae passa a afagar o órgão sexual ao invés de prendê-lo:
– […] Eu encontraria um lugar em algum canto escuro abaixo do sal, mas sempre que se levantasse para ir à latrina, eu poderia escapulir e ir encontrá-lo. – Envolveu a pica dele nas mãos e afagou-a com suavidade. – Não levaria roupas de baixo sob o vestido, para que o senhor nem precisasse me desatar. – Os dedos dela brincaram com ele, para cima e para baixo. – Ou, se quisesse, podia fazer-lhe isto. – Enfiou-o na boca.
(ASOS, Tyrion II)
Quando Tyrion mostra que está veementemente decidido a que ela não deixá-la ir, Shae se retrai para a cortesia fria. Tyrion está pensando em como concederia facilmente o desejo de Shae, caso o pai não tivesse ameaçado enforcá-la, contrariando o que ele disse em A Fúria dos Reis, sobre o amor por Shae envergonhá-lo:
Se a escolha fosse sua, ela poderia sentar-se a seu lado no banquete de casamento de Joffrey, e dançaria com todos os ursos que quisesse.
(ASOS, Tyrion II)
Eu atribuo essa mudança de postura (de amor proibido envergonhado para amor proibido cauteloso) ao momento de Tyrion, em que ele perdeu todo o prestígio e está tentando se agarrar na única coisa de seu momento glorioso que ainda tem: Shae.
Em verdade, o comportamento de Shae espelha o de Tyrion. Ambos estão tentando arranjar um jeito de manter seu status. O anão também está tentando voltar ao poder pelas vantagens terrenas que ele oferece e não mais para “fazer justiça”. Naquele momento, Tyrion estava sendo a Shae de Tywin, pois está a todo custo tentando reivindicar direitos e reconhecimentos de seu pai.
O surpreendente é que após toda a teimosia de Tyrion, Shae finalmente cede a seu instinto de autopreservação e dá a Tyrion um parágrafo inteiro de resignação e obediência, ao fim do qual Shae apela para o cavalheirismo de Tyrion e lhe arranca uma promessa:
[...] Gostaria de ser a sua senhora, mas não posso. Se fosse, você iria me levar ao banquete. Não importa. Gosto de ser rameira para o senhor, Tyrion. Basta que me mantenha, meu leão, e que me mantenha a salvo.
Manterei – prometeu ele. Tolo, tolo, gritou a sua voz interior. Por que disse isso? Veio aqui para mandá-la embora! Em vez disso, voltou a beijá-la.
(ASOS, Tyrion II)
A prostituta parece entender que o novo momento de Tyrion exige dela uma abordagem diferente. Em suas palavras, de um homem poderoso que poderia desafiar o mundo por ela, ele agora era um cavaleiro que a protegia e resgatava do perigo:
Pensava que o senhor tinha se esquecido de mim. – O vestido dela encontrava-se pendurado em um dente negro quase tão alto quanto ela, e a moça estava em pé dentro das mandíbulas do dragão, nua. […] – O senhor vai me arrancar de dentro das mandíbulas do dragão, eu sei. [...]
Meu gigante – ela ofegou quando a penetrou. – Meu gigante veio me salvar.
(ASOS, Tyrion VII)
Shae veste tão bem a fantasia de donzela que chega a declarar seu amor a Tyrion e Tyrion responde em pensamento. Porém, por alguma ironia do destino, a prostituta estava querendo lhe fazer pensar que ele era um cavaleiro, enquanto o próprio Tyrion queria lhe casar com um cavaleiro de verdade para se ver livre dela:
E eu também a amo, querida. Podia ser uma prostituta, mas merecia mais do que o que ele tinha para dar. Vou casá-la com Sor Tallad. Ele parece ser um homem decente. E alto…
(ASOS, Tyrion VII)
É curioso como este é o único efeito colateral do novo estratagema de Shae. Tyrion fica tão embrigado pela ideia de ser o cavaleiro salvador da garota, que ele tem um momento de desencanto quando a prostituta sequer teme perdê-lo ao saber de seu casamento com Sansa Stark:
[…] Não me importa. Ela é só uma garotinha. Vai deixá-la comuma barrigona e voltar para mim.
Uma parte dele tinha esperado menos indiferença. Tinha esperado, escarneceu amargamente, mas agora sabe como é, anão. Shae é todo o amor que provavelmente terá.
(ASOS, Tyrion IV)
Eu penso que a indiferença de Shae se fundava em ela saber que somente corria perigo se Tyrion arranjasse outra prostituta como amante. Ela estava ciente do quão sexualmente indesejável ele era para a maioria da população de westeros e como ele era complexado com sua aparência e traumatizado com relações amorosas. Portanto, um casamento arranjado com uma jovem nobre donzela realmente não lhe representava perigo algum. Ela até mesmo tenta pedir na frente de Tyrion que Sansa a leve ao casamento de Joffrey, demonstrando que seu objetivo de participar da boa é sua real prioridade.
Porém, não há que se dizer que Shae é uma pessoa desprovidade de sonhos e fantasias. O fato é que esta fantasias não são românticas, mas delírios com mudanças de status social, luxos e riquezas. Quando Sansa a chama para ver uma nuvem no céu que parece um castelo:
É feito de ouro. – Shae tinha cabelos escuros e curtos e olhos ousados. Fazia tudo o que lhe era pedido, mas às vezes dirigia a Sansa os mais insolentes dos olhares. – Um castelo todo feito de ouro, aí está uma coisa que eu gostaria de ver.
(ASOS, Sansa IV)
Ou quando conversava com Sansa sobre Ellaria Sand e a garota apresenta sua versão dos fatos em que Ellaria seria uma espécie de Shae que “deu certo” em razão do relacionamento com Oberyn:
Era quase uma prostituta quando ele a encontrou, senhora – confidenciara a aia – e agora é quase uma princesa.
(ASOS, Sansa IV)
E são suas fantasias por status e luxo que a levam a testemunhar contra Tyrion a pedido de Cersei. O depoimento de Shae acontece logo antes de o anão pedir o julgamento por combate. Dessa forma, tudo o que a garota diz se torna juridicamente irrelevante de uma hora para outra. Essa manobra de Tyrion acaba por fazer com que Cersei se livrasse da obrigação de cumprir sua parte do acordo:
Shae, o nome dela era Shae. A última vez que tinham conversado fora na noite anterior ao julgamento por combate do anão, depois de aquele dornês sorridente ter se oferecido como seu campeão. Shae inquirira acerca de umas joias que Tyrion lhe oferecera, e de certas promessas que Cersei poderia ter feito, uma mansão na cidade e um cavaleiro que a desposasse. A rainha deixara claro que a prostituta não obteria nada até que lhes dissesse para onde fora Sansa Stark.
(AFF, Cersei I)
Interessante notar que o acordo feito por Shae consiste apenas no que Tyrion já tinha em mente em lhe dar.
O depoimento de Shae é uma peça que me chama bastante a atenção. A garota não só conta como Tyrion supostamente teria lhe tomado como amante à força e confidenciado os planos de matar Joffrey durante sua última noite juntos. Shae revela ali, perante Tywin, que era seguidora de acampamento do Ramo Verde:
Nunca quis ser uma prostituta, senhores. Estava noiva. Ele era um escudeiro, um rapaz bom e corajoso, de bom nascimento. Mas o Duende viu-me no Ramo Verde e pôs o rapaz com que meu queria casar na primeira fila da vanguarda, e depois de ele ser morto ordenou aos selvagens que me levassem à sua tenda. Shagga, o grande, e Timett, como olho queimado. Ele disse que se não lhe desse prazer, me entregava a eles, e portanto eu dei. Depois trouxe-me pra cidade, pra ficar por perto quando ele me quisesse. Obrigou-me a fazer coisas tão vergonhosas […]. Ele usou-me de todas as maneiras que há e… costumava me obrigar a dizer como ele era grande. O meu gigante, eu tinha de lhe chamar, o meu gigante de Lannister.
(ASOS, Tyrion X)
Como esta parte do depoimento era completamente desnecessária, eu fico me perguntando se ela foi bolada pela própria Shae, Varys ou Cersei. Sabemos que a garota é capaz de mentir, mas não vimos coisas com este tipo de elaboração. Como Varys é quem estava administrando o disfarce de Shae, fornecendo -lhe até histórias falsas sobre seu passado para que contasse à Tanda Stokeworth, acredito que tenha sido ele quem a orientou a assim depor.
Porém, qualquer seria o objetivo disto? Apenas para ele próprio se safar da acusação de que estava trazendo informações erradas a Cersei, algo que já lhe preocupava (ASOS, Tyrion VII)? Ou Varys queria que o depoimento de Shae chamasse a atenção de Tywin?
De fato, em uma entrevista em 16 de junho de 2014 à Entertainment Weekly, afirmou que a questão entre Varys, Shae, Tyrion e Tywin é algo que ele fará revelações nos próximos livros:
EW: Certo, e há também a questão da surpresa da hipocrisia de Tywin quando ele [Tyrion] a encontra na cama dele. Tywin sabia que ela era uma prostituta [na versão do livro isso não fica claro]? Ou ele simplesmente não ligava?
GRRM: Ah, eu acho que Tywin sabia sobre Shae. Ele provavelmente adivinhou que ela era a seguidora de acampamento que ela havia expressamente dito “você não levará aquela puta para corte”, mas que Tyrion o havia desafiado e levado "aquela puta" à corte. Quanto ao que exatamente ocorreu aqui, é algo sobre o qual não quero falar, porque há aspectos disso que eu não revelei e que serão revelados nos próximos livros. Mas o papel de Varys em tudo isso é algo para se levar em consideração.
Esta entrevista deu fundamentos para que os leitores passassem a acreditar que Varys teria influenciado Tyrion a matar Tywin. Mas, para fins desta análise, nos cabe apenas ver a situação da ótica do que aconteceu com Shae, quem até mesmo pela teoria acima seria um alvo secundário.
Assumindo que Varys tenha orientado Shae a dar este depoimento para chamar a atenção de Tywin, como é que isso a colocaria na Torre da Mão na noite anterior à execução de Tyrion? Sabemos que Cersei mandou Shae embora ás lágrimas na noite entre o depoimento de Shae e o julgamento por combate entre Gregor e Oberyn, então somente depois desta noite é que Shae provavelmente estaria suporte. Caso ela já estivesse sendo sondada por Tywin, dificilmente sairia chorando...
Eu alimento uma teoria que o ponto que fez Tywin se interessar pela garota foi a bajulação que ela confessou fazer a Tyrion. “Meu gigante de Lannister” parece ser o tipo de frase que agradaria um homem como Tywin debaixo dos lençóis. A partir daí, bastaria que Varys fizesse uma sugestão aqui, outra acolá e de repente Tywin já estava pedindo a alguém que enfiasse a menina em seus aposentos na noite seguinte.

Declarações de GRRM sobre Shae

submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]